Encontrei nas minhas coisas um dos Audiozines, acho que o último. Passei mal. Além do clássico "Alguem Aí", tem Grenade em português, Cigarrettes eletrônico, música perdida do Blue Afternoon, Headache e Jerrsons, Belleatec, Songs:Aclima, Moreira cantando em inglês e zoação pra cima de todo mundo. O Du, o Gui e o Eugênio apresentando são tipo um IT Crowd indie. Sensacional. Baixaê e ouve:
- os suecos que estão vindo pro Brasil: Suburban Kids With Biblical Names e Love is All - Fantasmagoria, a banda do Gori, ex-Fun People; que logo vai ser lançada no Brasil pela Maldita Sea - algumas músicas de Bandeirante, belo CD do Telepatas que acaba de sair - Pélico, banda que vi ontem ao vivo e achei bem legal
Pra entrar no clima do Milo, essa aqui é sucesso lá. Descobri o A.P.B. em uma coletânea de pós-punk que a Soul Jazz lançou no começo do ano. Os caras eram escoceses e fizeram algum sucesso em Nova York na época. Lançaram só um disco, "Something to Believe In", em 85, e chegaram abrir shows do James Brown e gravar algumas sessions na Radio 1, mas ficaram nisso. No ano passado "Something to Believe In" foi relançado com faixas bônus. Saiu também uma coletânea com as gravações da BBC. Ainda no ano passado, a banda voltou à ativa e tá lançando um disco novo este ano. Esse eu ainda não ouvi. Nem tenho muita vontade. Essa All You Life With Me, do primeiro disco, tem linha de baixo colossal, batida desencontrada à ESG e alguma coisa do Liquid Liquid. Ou seja, petardo certeiro. Baixaê e depois vai atrás do disco todo.
Entrevistei o James Mercer, no backstage do show do Shins, em Montreal. O resultado tá no site da da +Soma. Aproveitando a vibe, assiste aí o clipe de "New Slang", do primeiro disco deles, e vê quantas capas de disco você acha.
Em março eu fui convidado para ir ao Canadá para participar de uma mesa no CMW (Canadian Music Week). Entre os shows que estava mais empolgado para ver, estava o do KTU, a banda do acordeonista finlandês Kimmo Pohjonen com dois ex-King Crimson. O show, para poucas pessoas no bar de um hotel, foi ainda melhor do que eu esperava, uma das melhores coisas que vi ao vivo este ano. O Kimmo é demente, toca de vestido, coturno e moicano. O som mistura eletrônica, batidas tribais e vocais fantasmagóricos, passeando pelos terrenos da IDM, do math rock e do prog. Botei aí embaixo outra belezinha finlandesa, o Dalindeo. A real é que essa música veio na coletânea que acompanha a revista Word de agosto. Achei ótima, brasileirismo na mosca. Até coloquei no Milo no entre uns sons brasileiros e funcionou bem. Mas fui ouvir as outras coisas deles no Myspace e não curti tanto. A foto aí em cima é do show do KTU em Toronto.
Essa aconteceu na última quinta, no Milo, lá pelas quatro da manhã. Tinha pouca gente da pista, alguns casais e um turminha de umas sete ou oito pessoas. Eu já tinha desacelerado, tava colocando umas coisas mais calminhas pro pessoal ir embora em paz e feliz. Aí chega uma menina do grupo em mim:
- Vem cá, a gente acabou de ganhar uma conta na agência e estamos celebrando aqui. Tem como tocar uma coisa mais agitada?
Fiz o legal e botei umas coisas mais pra cima: talking heads, shins, of montreal, shout out louds. A menina volta:
- Então, preciso agradar meu chefe... Toca um som mais pra cima...
Falei que isso era o que eu tinha de mais pra cima e coloquei Devo. Ela vem de novo:
- Essa tá muito caída. Não tem nada mais legal?
Respondi:
- Desculpa, mas não tenho som de publicitário. Se você não gosta de Devo não tem porque estar aqui.
Ela foi até a turminha e voltou em dez segundos:
- Você quer dinheiro pra tocar o que a gente quer?
Na hora não acreditei, até perdi o rebolado. Devia ter aceitado, pedido 100 reais por música, haha. Mas o que fiz foi olhar pra ela puto e perguntar se ela tava louca. Então, depois do Devo botei a primeira coisa que vi na frente e fui até o banheiro. Quando eu volto tem um palhaço da turminha mexendo do mixer. Delicadamente, com um empurrão botei ele pra fora da cabine e falei pra ele sumir da minha frente antes que fizesse uma bobagem (não foi bem nesses termos, mas beleza). Um outro, de blazer e camisa social veio tirar satisfação e só não chegamos às vias de fato porque o Felipe, o Gui e depois o Fernando chegaram e impediram.
Moral da história: publicitário é tudo cuzão. Isso foi o que eu disse pra eles. E, de certa forma, acredito. Não sou de generalizar. E conheço um monte de gente que não é assim: Lulins, Keke, Mini... Todos geniais, todos gente fina. Não por acaso, eles fogem da auto-referência e a presunção "eu conheço tudo o que é bom, se eu não conheço é porque não é bom" que costuma reger o meio deles. Fiquei imaginando a turma da agência combinando a balada: "tem um lugar superdescolado lá na Minas Gerais para a gente comemorar, tem paredes grafitadas, um pessoal bem alternativo...". Mas neguinho chegou lá e não tava tocando "Mr Jones". Nem psy. Nem sei lá o cazzo que eles queriam ouvir. "Então vamos comprar o som que a gente quer". E por aí vai. Isso me lembrou a história que o Adriano contou, da época em que ele fazia jingles, e era obrigado a plagiar as músicas que chegavam como "referência". Ou da vontade de vomitar que tenho cada vez que vejo uma peça "jovem"(olha isso e isso). Ou no Fábio, que depois de poucos meses, pediu demissão de uma agência de renome porque não aguentou tanta cretinice. Se bem que idiota tem em qualquer lugar. Às vezes eu esqueço que sou jornalista e escrevo sobre música. haha.
Um concorrente sério a disco do ano foi gravado em 69, mas nunca foi lançado. Quer dizer, tá sendo lançado agora, pela Ninja Tune. The Dragons era o nome do trio formado por irmãos californianos de família musical - Dragon era realmente o sobrenome deles. Gravaram esse BFI e não conseguiram quem lançasse na época. O disco ficou guardado até que o DJ Food encontrou uma das faixas em uma trilha sonora de um filme e contatou um dos irmãos para licenciá-la para um mix. A surpresa era que ele tinha o álbum inteiro inédito. E que álbum. Alguém descreveu como Booker T encontra Doors. Até que cai bem, mas é mais que isso. É soul-jazz psicodélico visionário. Não costumo fazer isso, mas achei que seria injusto não botar o disco inteiro aqui pra download. Vai que é sua, campeão.