- todos os DJs do mundo tocaram "Pon De Floor", do Major Lazer;
- todo mundo usou air horns em músicas ou DJ sets;
- a Made to Play provou que a Alemanha é a nova França;
- surgiu uma leva sensacional de música eletrônica não necessariamente voltada às pistas, com nomes como Javelin, Toro y Moi, Tanlines, Hudson Mohawke, Bibio, Neon Indian e outros;
- o Animal Collective tornou a competição pelo melhor disco inviável ao lançar nas primeiras semanas do ano o Merryweather Post Pavillion. Só pra humilhar, ainda lançou o EP Fall Be Kind. E olha que o Dirty Projectors quase chegou lá;
- falando neles, o Dirty Projectors fez o melhor show visto no Brasil;
- os ingleses tiveram que vender um disco bonzinho (The XX) como obra prima por falta de coisa melhor feita por lá;
- finalmente a Lulina lançou seu tão esperado disco "de verdade" e fez bonito;
- bandas como Real Estate, Ducktails, Girls, Air Waves e Wavves levaram o lo-fi para a praia;
- o electro-funk dos anos 80 ressurgiu como referência pra gente legal como Dam-Funk, Jimmy Edgar e Nite Jewel;
- os grandes festivais corporativos provaram-se totalmente desnecessários. A melhor música veio ao Brasil em shows pequenos;
- os hermanos da ZZK ganharam o mundo;
- bandas brasileiras perderam o medo de se aventurar no exterior, algumas, como Holger, Mickey Gang, Black Drawing Chalks e Garotas Suecas, conseguindo um belo retorno;
- Holger, Black Drawing Chalks e The Name fizeram os shows mais legais entre as bandas nacionais;
- a imprensa musical e a modernidade brasileira deixou passar boa parte de tudo isso.
22 de dez. de 2009
um primero top 10 de 2009
coletâneas lançadas este ano que realmente valem a pena:
1. Legends of Benin
2. Warp 20 Box Set
3. Marvellous Boy: Calypso From West Africa
4. Psych-Funk 101 - A Global Psychedelic Funk Curriculum
5. 100% Dynamite NYC - Dancehall Reggae Meets Rap in New York City
6. Panama 3 - Calypso Panameño, Guajira Jazz & Cumbia Tipica on the Ishtimus 1960-75
7. Ghana Special - Modern Highlife, Afro Sounds, Ghanaian Blues 1968 - 1981
8. Africa Boogaloo - The Latinization of West Africa
9. Nigeria 70: The Definitive Story of 1970’s Funky Lagos
10. 5: Five Years of Hyperdub
1. Legends of Benin
2. Warp 20 Box Set
3. Marvellous Boy: Calypso From West Africa
4. Psych-Funk 101 - A Global Psychedelic Funk Curriculum
5. 100% Dynamite NYC - Dancehall Reggae Meets Rap in New York City
6. Panama 3 - Calypso Panameño, Guajira Jazz & Cumbia Tipica on the Ishtimus 1960-75
7. Ghana Special - Modern Highlife, Afro Sounds, Ghanaian Blues 1968 - 1981
8. Africa Boogaloo - The Latinization of West Africa
9. Nigeria 70: The Definitive Story of 1970’s Funky Lagos
10. 5: Five Years of Hyperdub
14 de dez. de 2009
e lá vamos nós
Os 00 foram a década do nada pros preguiçosos. Pros mal informados. Pros velhos. Pra imprensa musical brasileira. Sempre burra, sempre dependente, sempre viciada. Deve ter sido realmente uma década difícil pra quem sempre se pautou por 1. os discos que as majors enviavam semanalmente 2. duas ou três publicações gringas. A única coisa que o Álvaro Pereira Junior acertou na coluna dele dessa semana foi em dizer que esta foi a década da pulverização. Por isso mesmo ficou mais difícil - e também mais fácil - mapear o que foi feito de boa música. Se, por um lado, acabaram as unanimidades, por outro, nunca se fez música de qualidade em tanta quantidade e nunca o acesso a esta produção foi tão fácil. Sobre isso, vale ler este texto do Simon Reynolds. Mas é difícil esperar muito de um cara que descobriu o Telepathe um mês depois da banda passar por debaixo do nariz dele na capital paulista. Falar que não houve inovação em uma década que começou com os Avalanches ensinando que se podia fazer uma obra prima com retalhos na base do cut and paste, viu o hip hop expandir seus limites de forma espantosa, passou pela demolição da figura do ídolo em cima do palco nas marretadas do Lightning Bolt e na catarse coletiva promovida pelo Dan Deacon, dançou com batidas eletrônicas elaboradas nas mais distantes periferias do mundo, e, pelas mãos de gente como Animal Collective e Dirty Projectors encontrou novas maneiras de se fazer música pop é, no mínimo, um desserviço ao jovem leitor do Folhateen. Mas, fazer o que, se as revistas que ele lê só falaram dos Strokes, Libertines, hippies e sambistas indie? Nos 00 olharam pro passado os saudosos do passado. Como o próprio Álvaro.
19 de nov. de 2009
essencial
Ei, você que leu aquele meu post sobre indie no Brasil. Gostando ou não, vale se aprofundar um pouco no assunto. A ex-Sleater Kinney Carrie Brownstein juntou para um debate online os responsáveis por alguns do maiores selos independentes americanos. O papo é um interessante panorama sobre o estado das coisas no atual mercado independente por lá, passando pela volta do vinil, definição de independente, a força da Pitchfork e outros temas. Algumas frases pinçadas de lá:
- Gerard Cosloy (Matador): "A Pitchfork 9.1 is more influential to the audience and the retailers than a Rolling Stone or New York Times review".
- Gerard Cosloy: "In some countries, they think indie is a genre".(Oi Brasil! haha)
- Portia Sabin (Kill Rock Stars): "There were 105,000 records released in the U.S. last year, and of those, 1,515 sold more than 10,000 copies".
Portia Sabin: "A weird thing for us is that, no matter what song off an album we give away as a free MP3, that song is always the most-purchased song off that album".
Ah, vai lá e lê tudo. É uma aula.
- Gerard Cosloy (Matador): "A Pitchfork 9.1 is more influential to the audience and the retailers than a Rolling Stone or New York Times review".
- Gerard Cosloy: "In some countries, they think indie is a genre".(Oi Brasil! haha)
- Portia Sabin (Kill Rock Stars): "There were 105,000 records released in the U.S. last year, and of those, 1,515 sold more than 10,000 copies".
Portia Sabin: "A weird thing for us is that, no matter what song off an album we give away as a free MP3, that song is always the most-purchased song off that album".
Ah, vai lá e lê tudo. É uma aula.
16 de nov. de 2009
qual é melhor?
a original
ou a versão com o ninjasonik?
ou a versão com o ninjasonik?
13 de nov. de 2009
nhé
Essa mina é foda. Infelizmente, perdi o sow em Montreal.
tUne-YaRds
tUne-YaRds
29 de out. de 2009
o futuro (do pretérito) do funk

O dubstep, o grime e o UK funky, como todo gênero musical, evoluíram e começam a gerar suas crias. Deles, brotou um filhote ainda em formação, que vem sendo chamado de funkstep ou dubbage. Pense em algo como dubstep descobre Prince e você começa a entender do que estou falando. Adicione house, R&B e até soca à mistura e temos uma versão do gênero que não espanta as garotas da pista. A última edição da XLR8R deu capa ao tal funk mutante, apresentando Geeneus, Roska e Cooly G como destaques da cena. Enquanto isso, o blog Masala aponta para o pessoal que está misturando o UK funky com dancehall.
Em outros cantos do mundo, o funk renasce olhando pra trás. De Los Angeles, Dâm-Funk capitanea a onda tomando como base o electro-funk do começo dos anos 80. Daí, em menor ou menor grau, os novos funkeiros conduzem o gênero por caminhos diversos e às vezes improváveis, utilizando-o mesclado a psicodelia, idm, colagens ou o que for. Vale prestar atenção em gente como Sweat.X (do hit "I'm That Alley"), Gosub, Jimmy Edgar, Nite Jewel, Rustie... Até mesmo o Hudson Mohawke bebe bastante nessa fonte. Então se prepara pra dançar e, como eles todos, redescobrir o Egyptian Lover dentro de você.
22 de out. de 2009
pop montreal - dia 5
Dia de Piknic Életronik. Trata-se de uma festa que rola todos os domingo durante o verão e início do outono no parque Jean Drapeau, em uma ilha, de frente pra cidade. O lugar é incrível e a vibe nem se fala. Esse ano, esta data do Piknic foi incorporada ao festival. Pena que tava chovendo. De qualquer forma, colei pra ver o Valeo. Pena que ele não conseguiu vir para o Brasil com o Poirier, porque ele destrói. Manda funk carioca, kuduro, cumbia digital, dubstep, reggaeton e o que mais viesse num set impecável. Missão 2010: coseguir trazê-lo pra tocar na Explode. Depois teve o DJ/Rupture, que esfriou o clima com meia hora de cumbia roots antes de entrar num set fraquinho. Fugi da chuva e fui descansar pra noite.
Fui passar o som - sim, DJ também passa o som, haha - e descobri que, além do Lemonade e do Cadence Weapon, o Tanlines também tocaria. Massa, porque não os tinha visto abrindo para Os Mutantes, por razões óbvias. Descobri também que ia tocar com o equipamento do Cadence Weapon. Beleza.
Era a festa de encerramento do festival, só pra convidados, bandas, organizadores e voluntários. O local era o mesmo Clube Lambi onde o Holger tinha tocado na primeira noite, casa pra umas 500 pessoas. Quem abriu foi o Lemonade, pegando a casa enchendo aos poucos e o público começando a esquentar. Mas, ao contrário da noite anterior, fizeram um show cabuloso. As músicas do disco novo, que ainda não tá pronto, conseguem ser melhores que as do primeiro, e som é um dançante encontro entre a Madchester do Happy Mondays e o revival pós-punk nova-iorquino de gente como o !!!. Tudo temperado com influências globais, principalmente latinas e asiáticas. E um baterista que é um monstro.
Tanlines foi ainda melhor. A dupla do Brooklyn foi abraçada por um quem é quem do hype - os selos True Panther Sounds (Girls, Lemonade) e Young Turks (XX, Wavves, El Guincho), faixa em coletâea da Kitsuné - e, incrivelmente, não soa como nada que poderia alcançar tal feito. Mistura eletrônica lo-fi com com beats programados e guitarra e percussão tocadas ao vivo, produzindo um som ao mesmo tempo hipnótico e dançante.
Aí veio o Cadence Weapon. Esse eu já tinha visto no Texas e sabia que era foda. Mas em casa - ele é de Edmonton, mas vive em Montreal - o jogo tava mais que ganho. Ainda mais com o clima de festa que rolava. O cara é muito bom no palco. O público vai junto. Acabado o show, ele o DJ começaram a festa, e começaram a invadir meu horário. Beleza, tava me divertindo. Aí o stage manager surtou e praticamente expulsou-os de lá.
Então entrei pra fazer meu set e foi uma loucura. Não dá pra descrever muito porque fiquei naquele transe de palco fudido. Só sei que na segunda música o palco já tava lotado de gente dançando, incluindo o pessoal das três bandas anteriores. Foi inacreditável. Nunca esperava uma recepção assim. O clima se manteve mesmo com as luzes do clube acesas. Aí, quando não dava mais pra segurar, cortaram meu som e saí aplaudido, tipo show. Incrível.
Seguiu-se então uma sequência de conversas surreais pra mim. Tipo o Cadence Weapon e o DJ dizendo que, se soubessem que ia ser tão bom, teriam saído bem antes. Ou o baterista do Lemonade surtando porque toquei De Lorean com Deize Tigrona. E a equipe do clube dizendo que foi a primeira vez que eles viram alguém conseguir tocar depois do Cadence Weapon. Ou um dos Tanlines perguntando sobre minhas tours na Europa. Haha. Pra terminar, ainda teve uma after party na Federação Ucraniana. E fui dormir às 9 da manhã. Esperando o festival do ano que vem.
Fui passar o som - sim, DJ também passa o som, haha - e descobri que, além do Lemonade e do Cadence Weapon, o Tanlines também tocaria. Massa, porque não os tinha visto abrindo para Os Mutantes, por razões óbvias. Descobri também que ia tocar com o equipamento do Cadence Weapon. Beleza.
Era a festa de encerramento do festival, só pra convidados, bandas, organizadores e voluntários. O local era o mesmo Clube Lambi onde o Holger tinha tocado na primeira noite, casa pra umas 500 pessoas. Quem abriu foi o Lemonade, pegando a casa enchendo aos poucos e o público começando a esquentar. Mas, ao contrário da noite anterior, fizeram um show cabuloso. As músicas do disco novo, que ainda não tá pronto, conseguem ser melhores que as do primeiro, e som é um dançante encontro entre a Madchester do Happy Mondays e o revival pós-punk nova-iorquino de gente como o !!!. Tudo temperado com influências globais, principalmente latinas e asiáticas. E um baterista que é um monstro.
Tanlines foi ainda melhor. A dupla do Brooklyn foi abraçada por um quem é quem do hype - os selos True Panther Sounds (Girls, Lemonade) e Young Turks (XX, Wavves, El Guincho), faixa em coletâea da Kitsuné - e, incrivelmente, não soa como nada que poderia alcançar tal feito. Mistura eletrônica lo-fi com com beats programados e guitarra e percussão tocadas ao vivo, produzindo um som ao mesmo tempo hipnótico e dançante.
Aí veio o Cadence Weapon. Esse eu já tinha visto no Texas e sabia que era foda. Mas em casa - ele é de Edmonton, mas vive em Montreal - o jogo tava mais que ganho. Ainda mais com o clima de festa que rolava. O cara é muito bom no palco. O público vai junto. Acabado o show, ele o DJ começaram a festa, e começaram a invadir meu horário. Beleza, tava me divertindo. Aí o stage manager surtou e praticamente expulsou-os de lá.
Então entrei pra fazer meu set e foi uma loucura. Não dá pra descrever muito porque fiquei naquele transe de palco fudido. Só sei que na segunda música o palco já tava lotado de gente dançando, incluindo o pessoal das três bandas anteriores. Foi inacreditável. Nunca esperava uma recepção assim. O clima se manteve mesmo com as luzes do clube acesas. Aí, quando não dava mais pra segurar, cortaram meu som e saí aplaudido, tipo show. Incrível.
Seguiu-se então uma sequência de conversas surreais pra mim. Tipo o Cadence Weapon e o DJ dizendo que, se soubessem que ia ser tão bom, teriam saído bem antes. Ou o baterista do Lemonade surtando porque toquei De Lorean com Deize Tigrona. E a equipe do clube dizendo que foi a primeira vez que eles viram alguém conseguir tocar depois do Cadence Weapon. Ou um dos Tanlines perguntando sobre minhas tours na Europa. Haha. Pra terminar, ainda teve uma after party na Federação Ucraniana. E fui dormir às 9 da manhã. Esperando o festival do ano que vem.
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14 de out. de 2009
pop montreal - dia 4
Dia intenso. Começou comigo participando de dois debates. O primeiro, junto com Don Wilkie (Constellation Records, de Montreal), Violaine Didier (Nuits Sonores Festival, de Lion), Maximillian Lawrence (Space 1026, da Filadélfia) e Kalle Lundgren (Pitch & Smith Booking Agency, de Estocolmo) tinha como tema "Ecologia de uma cena: cultura independente de Estcolmo a São Paulo". A contraposição de diferentes realidades e ecossistemas foi bem interessante, embora o debate tenha sido curto. O outro, foi uma série de mini-palestras discotecadas, com o tema "Música das ruas do mundo", em que dividi a mesa com os etnomusicólogos Wayne Marshall (Wayne and Wax) e Briam Shimkovitz (Awesome Tapes From Africa) e os DJs Valeo (Masala) e Jace Clayton (mais conhecido como DJ/Rupture). Sobre este, basta dizer que, se não estivesse na mesa, gostaria muito de estar na plateia, principalmente pra ver a parte de Wayne e seu "To Meme or Not To Meme", genial acompanhamento de uma certa melodia jamaicana na medida em que ela é reproduzida através dos anos em diferentes lugares e gêneros musicais. Ótimo.
Comecei a noite vendo o Faust na Federação Ucraniana. Confesso que comecei a cochilar antes de o show começar e o cochilo foi show adentro durante as primeiras músicas. Sentar em festival dá nisso. O show em si foi bom, eles tocaram clássicos e coisas novas, mas, muitas vezes, algumas coisas me pareceram caricatas - coisas que na época áurea da banda deviam ser geniais. O mais legal é ver que eles ainda se divertem no palco e acreditam no que fazem. E, pô, vou poder contar pros meus filhos - é lógico que eles não vão se interessar - que já vi "Sad Skinhead" ao vivo.
De lá, fui ver o Lemonade. Bom, vou dizer que não gostei muito desse show deles. O pior é que, no dia seguinte, a mesma banda me deixou impressionado. Então falo sobre eles no próximo post. Saí pra ver o Holger tocando em uma festa fechada. Era numa casa, na sala da casa, com cerveja e nachos grátis. A parada era caótica, ou seja, perfeita pra eles, que mais uma vez ganharam o público, apesar do som zoado.
Aí fui ver o Think About Life, que me deixou de queixo caído. O lugar tava lotado, a banda é amada na cidade. O trio é composto por um baterista, um guitarrista e o vocalista figura Martin. A vocalista do Shapes and Sizes (ela é do Miracle Fortress também, uma das bandas mais fudidas de Montreal) participou de quase todo show. O som tem muita eletrônica e o vocal parece sempre fora do lugar, Martin é um soulman sem voz com postura de rapper. Quem acompanha o Bima sabe que adoro shows em que rola simbiose entre banda e público. O Think About Life é mais um caso extremo. Stage dive, invasão de palco, inside jokes e músicas na ponta da língua da plateia. Puta show. Depois ainda rolou after party monstra no Il Motore - e carona na van do Lemonade de volta pro hotel.
Comecei a noite vendo o Faust na Federação Ucraniana. Confesso que comecei a cochilar antes de o show começar e o cochilo foi show adentro durante as primeiras músicas. Sentar em festival dá nisso. O show em si foi bom, eles tocaram clássicos e coisas novas, mas, muitas vezes, algumas coisas me pareceram caricatas - coisas que na época áurea da banda deviam ser geniais. O mais legal é ver que eles ainda se divertem no palco e acreditam no que fazem. E, pô, vou poder contar pros meus filhos - é lógico que eles não vão se interessar - que já vi "Sad Skinhead" ao vivo.
De lá, fui ver o Lemonade. Bom, vou dizer que não gostei muito desse show deles. O pior é que, no dia seguinte, a mesma banda me deixou impressionado. Então falo sobre eles no próximo post. Saí pra ver o Holger tocando em uma festa fechada. Era numa casa, na sala da casa, com cerveja e nachos grátis. A parada era caótica, ou seja, perfeita pra eles, que mais uma vez ganharam o público, apesar do som zoado.
Aí fui ver o Think About Life, que me deixou de queixo caído. O lugar tava lotado, a banda é amada na cidade. O trio é composto por um baterista, um guitarrista e o vocalista figura Martin. A vocalista do Shapes and Sizes (ela é do Miracle Fortress também, uma das bandas mais fudidas de Montreal) participou de quase todo show. O som tem muita eletrônica e o vocal parece sempre fora do lugar, Martin é um soulman sem voz com postura de rapper. Quem acompanha o Bima sabe que adoro shows em que rola simbiose entre banda e público. O Think About Life é mais um caso extremo. Stage dive, invasão de palco, inside jokes e músicas na ponta da língua da plateia. Puta show. Depois ainda rolou after party monstra no Il Motore - e carona na van do Lemonade de volta pro hotel.
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pop montreal 09,
think about life
9 de out. de 2009
pop montreal - dia 3
O dia começou com uma longa caminhada até a sede da Constellation, onde pudemos comprar vinis a US$10 (ou US$15 os duplos) e ganhamos um monte de pôsteres. Depois, bagel com cream cheese na St-Viateur (dizem, e eu acredito, que os melhores do mundo são feitos nessa rua). Mas o melhor de tudo veio de noite, com show do Yo La Tengo. Disparado, o melhor do festival.
É incrível como, por duas horas seguidas, eles conseguem ser tão perfeito. E não parecem fazer nenhum esforço pra isso. E isso não quer dizer falta de vontade. A vontade está lá, estampada na cara dos três, seja nas longas viagens instrumentais, seja num punk rock barulhento. Dá gosto de ver uma banda com tantos anos de estrada ainda tocando desse jeito. E no bis ainda rolou "Speeding Motorcycle", do Daniel Johnston. E no segundo bis teve cover de um daqueles rockões do Neil Young - só não me pergunta qual era a música.
Depois, ainda deu tempo de passar pra ver o Shapes and Sizes, competentíssimo tesouro da cidade, praticando indie rock torto, com muitas nuances e uma vocalista incrível. Ainda dava pra tentar pegar o Japandroids num lugarzinho pequeno, mas eu tava morto. E precisava descansar pro fim de semana.
É incrível como, por duas horas seguidas, eles conseguem ser tão perfeito. E não parecem fazer nenhum esforço pra isso. E isso não quer dizer falta de vontade. A vontade está lá, estampada na cara dos três, seja nas longas viagens instrumentais, seja num punk rock barulhento. Dá gosto de ver uma banda com tantos anos de estrada ainda tocando desse jeito. E no bis ainda rolou "Speeding Motorcycle", do Daniel Johnston. E no segundo bis teve cover de um daqueles rockões do Neil Young - só não me pergunta qual era a música.
Depois, ainda deu tempo de passar pra ver o Shapes and Sizes, competentíssimo tesouro da cidade, praticando indie rock torto, com muitas nuances e uma vocalista incrível. Ainda dava pra tentar pegar o Japandroids num lugarzinho pequeno, mas eu tava morto. E precisava descansar pro fim de semana.
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