16 de mar de 2008

dias 5 / 6

Postagem atrasada. Ontem eu tava muito zoado pra qualquer coisa. Tive uma visão do futuro em um show do Matt & Kim, que se completou com o que vi no Mae Shi hoje. Mas vamos falar do dia, tipo querido diário mesmo.

A primeira notícia do dia: ganhei um HD externo em um sorteio na sala de imprensa. Acho que foi a primeira vez que ganhei um sorteio na minha vida. Então rolou a passadinha no centro de convenções pra buscar o prêmio e, em seguida, uma visita ao Flatstock, exposição de pôsteres de shows muito foda, com presença dos artistas gráficos e venda de camisetas, adesivos e, claro, pôsteres. Não teve jeito, saí de lá com um pôster do Animal Collective, adesivos lindos da Tara McPherson, camisetas, imãs de geladeira, e muitos dólares a menos no bolso.

Aí não rolou o Holy Fuck. A entrada era só com nome na lista. Me fodi. Saí puto, mas o dia teve surpresas que me animaram. A maior: Jandek. Ele mesmo, tocando na Igreja Presbiteriana. O show é melhor que qualquer disco dele. Uma banda fudida recriava a atmosfera fantasmagórica da obra dele, deixando ainda tudo mais denso e tenso. O Jandek canta quase de costas para o público. Não se dirige, nem com o olhar, para o público sequer uma vez. Nunca imaginei que um dia fosse vê-lo ao vivo. Mas tive que perder o finzinho do show pra gravar os brazucas do outro lado da cidade.

Desci correndo, atrasado, e, com dor no coração passei batido pelo lugar o o 2 Live Crew celebrava a reunião. Mentira que passei batido. Fiz uma pausa de uns trinta segundos pra ouvir um pouco de "Pop That Pussy" até que o dever e me chamasse de volta à correia pra pegar o final do show do Fruet e os Cozinheiros.

Vou dizer uma coisa: puta erro, essa noite com bandas brasileiras (e uma argentina). Primeiro, porque o lugar era meio longe da 6th St., onde tudo acontece. Depois, pela escalação, completamente esquizofrênica: Fruet, Telerama, argentino tosco cujo nome não faço idéia qual seja, Debate, Lucy and the Popsonics e Tita Lima. Resultado: quem se deslocava até lá pra ver uma coisa, não gostava da outra, e quem tava ali pra ver batucada não gostava de quase nada. Fiasco.

Acabando as gravações, deu tempo de correr pra tentar ver o Dan Deacon. Chego no pico e descubro que o cara não vai tocar. E entram Matt & Kim no lugar. E aí que Matt & Kim foi tão foda quanto poderia ser o Dan Deacon.

Quando digo que vi o futuro é porque senti na pele a bola que canto há algum tempo: o futuro é no chão. E o show deles nem foi no chão. Mas a vibe era. Na platéia, uma molecada completamente ensandecida. No palco, uma dupla tão ensandecida e tão platéia quanto a molecada. O som é teclado, vocal e bateria. Mas o som não é tudo o que importa aqui. Melhor que ficar explicando, dá uma olhada e entende:


À tarde, consegui dar uma passada no Don't Mess With Texas, festival paralelo com três palcos, que rola num parque a umas 15 quadras do centro. Peguei o Atlas Sound, que fez um belíssimo show - e aquele vocalista é mais estranho ainda ao vivo. Aí, mais uma surpresa: no lugar do Neon Neon, tocou o Crystal Antlers, banda de um cara que tava trabalhando na segurança do evento. E a banda é fudida. O cara é um negão que troca de roupa o tempo todo e toca percussão. No teclado tinha um indião e os outros caras pareciam suecos de filme de foda dos anos 70. E o som era psicodelia setentista tomada. Ainda deu pra pegar duas músicas do Black Mountain antes de correr pro Jandek. Mas perdi Islands, Breeders e outras coisas.

A noite terminou bem tarde, num mexicano roots. Primeira refeição de verdade que fiz desde que cheguei aqui. A dieta do lixo tá foda. Você é o que você come, então imagina como estou me sentindo.

Hoje de tarde, na ressaca pós festival, assisti ao Mae Shi, que queria ter visto durante esses dias e não tinha conseguido. Cara, que demência. Mesma vibe criançada tomada do Matt & Kim. O tempo todo eles correm para o meio do público. Tocam, cantam e dançam lá no meio, tipo um Móveis do mal. Trocam de instrumentos, berram, jogam um imenso lençol branco sobre a platéia e se enfima lá embaixo, atiram camisetas e tatuagens temporárias com o logo da banda. Isso tudo emoldurando um hardcore esquizofrênico, como um Fall no 220w, com momentos de celebração possuída e outros de pop eletrônico mongol. Loucura total. O disco novo deles acabou de sair. Baixa e escuta. Mas isso não vai te dar uma noção do que eles são ao vivo.

Chuif. Esse foi o último show que vi aqui em Austin. Amanhã pego o vôo pro Brasil. Preciso voltar no ano quem.

Um comentário:

TV de LCD disse...
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