28 de mar de 2007

acho que foi o som da noite anterior

Na última sexta a gente (o Gui e eu) estreou a festa Brasa. A banda convidada foi Lulina e os Causadores ( atentem para os nomes dos envolvidos ). Tem muita gente que não gosta da Lulina. O engraçado é que o que me encanta no som dela é justamente o que neguinho vê de pior e dá como motivo para não gostar: a voz frágil, os desafinos, os desencontros, a instabilidade. Ao vivo, parece que a música vai se desintegrar a qualquer momento. E você fica naquela torcida para que aquelas músicas de melodia fofa cheguem até o final, para que se consiga ouvir versos que dizem muito, em muito pouco. E tem todas as brincadeiras, os instrumentos, os arranjos, as meninas felizes na platéia. Ah, o que eu queria dizer é que a Lulins comanda (atentem para o nome dos envolvidos). E que jornalistas musicais deveriam escutar Beat Happening.

27 de mar de 2007

Na Brasa

Próximas atrações na Brasa:

30/3 - Instiga
06/04 - Apanhador Só
13/04 - Sêneca
20/04 - Motormama

pra quem não sabe, o Gui explica: "
Brasa é uma revista eletrônica sobre música brasileira. Seja convencional ou moderna, pop ou experimental, nova ou antiga, desconhecida ou famosa, não importa. Vamos falar de boa música. Em breve, no site www.mandabrasa.com, novidades, resenhas, entrevistas e artigos escritos por um time que sabe do que está falando e, principalmente, gosta do que faz. Mais uma cria de Guilherme Barrella (Peligro) e Dago Donato (TramaVirtual). Pra deixar tudo um pouco mais interessante e interativo, toda sexta rola a festa da Brasa no Berlin,
com as melhores bandas e ao som do DJ residente Dago Donato e convidados. A entrada é R$ 15, mas quem deixar o nome na nossa lista, fica por R$ 10. Toda sexta a partir de 23h no Berlin (Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 85. Barra Funda. +info: www.clubeberlin.com.br)".


Seleta

Fiz isso aqui pra juntar minhas coisas que estão espalhadas por aí. E pra botar coisas novas quando tiver vontade. Aos poucos vou desovando os lances antigos aqui.

Dinosaur Jr

Essa saiu na revista do Coquetel Molotov (acho que em maio de 2006)

O Dinosaur Jr está de volta. Às lojas, com a reedição dos três primeiros e fundamentais álbuns do grupo, Dinosaur (85), You’re Living All Over Me (87) e Bug (88), que chegam ao Brasil pela distribuidora Peligro. E aos palcos, com a formação original, em uma turnê que lotou casas noturnas do EUA e Europa e passou passar por festivais como Reading, Leeds e Benicassin.

O retorno surpreende, uma vez que J Mascis (vocais e guitarra), Lou Barlow (vocais e baixo) e Murph (bateria) nunca se entenderam. A conturbada relação entre os integrantes, principalmente Mascis e Barlow, porém, servia de combustível para as incendiárias apresentações da banda. Mascis uma vez definiu os shows desse período como “psicodrama sobre o palco”. “Havia muita tensão entre nós”, diz Murph, minutos antes da passagem de som para um show em Amsterdã. “Uma vez o J ficou nervoso com o Lou e deu com a guitarra nele no meio de um show. O Lou só se defendia com o baixo. Naquele momento tive vontade de correr atrás dos dois, dar uma chave de pescoço em cada um deles e bater uma cabeça na outra. O pior foi a platéia ter pensado que era tudo uma piada. Recebi vários tapinhas nas costas de pessoas me cumprimentando pela cena”.

O episódio ficou famoso como o catalisador da saída de Barlow do grupo, pouco após o lançamento do terceiro álbum. “Fomos à casa do Lou e o J não falou nada. Ele nunca falava nada. Então eu comecei a falar, mas ele entendeu que estávamos acabando com a banda. Nós já tínhamos chamado outro baixista e estávamos com uma turnê na Austrália agendada. Quando o Lou ficou sabendo, ficou muito bravo e foi atrás de nós. Tivemos que agüentá-lo gritando por horas”.

Amigos de infância encantados com bandas da primeira leva do underground americano dos anos 80, principalmente as da gravadora SST, então lar do Sonic Youth, Black Flag e Meat Puppets, os dinossauros apareceram em 1985, surpreendendo a todos com um som que absorvia influências do country rock dos anos 70 e da new wave britânica, e trazia de volta os longos solos de guitarra, algo então fora de moda. Tudo soterrado por uma incrível avalanche de distorção e ruído e coroado pela sonolenta voz de Mascis. Não demorou para que fossem apadrinhados pelos ídolos Sonic Youth e, na sua primeira excursão pela Europa, endeusados pela crítica britânica.

O legado da fase inicial do Dinosaur Jr se estende pelos dois lados do Atlântico. No Reino Unido, são creditados como grande influência para o surgimento da cena shoegazer. “O Kevin Shields, do My Bloody Valentine, era nosso fã e nós éramos fãs dele. Nos influenciamos mutuamente”, diz Murph sobre o maior expoente do estilo. Nos EUA, fizeram a cabeça de toda uma geração do rock alternativo. “Ajudamos a pavimentar o caminho para algumas coisas legais dos anos 90, como o grunge”, acredita. Também foram alçados à condição de grandes representantes dos chamados slackers – a apática juventude classe média da época. Murph desdenha: “Nunca pensamos muito sobre isso. O J nunca foi um slacker. Ele trabalhava, fazia músicas. Acabou sendo rotulado porque não falava muito e gostava de ver TV”.

Poderia ter sido o Dinosaur Jr no lugar do Nirvana? Logo que Nevermind estourou, Barlow, bêbado, encontrou-se com Mascis e aos berros insultou-o, dizendo que sim. Mas a essa altura, a banda já tinha contrato com uma major e conhecia relativo sucesso sem Barlow, que seguiu gravando trabalhos no Sebadoh, Folk Implosion, Sentridoh e outros. “O Nirvana tinha química e era mais acessível que a gente. Acho que seríamos uma banda como o Metallica, não em termos de som, mas de carreira. Eles começaram underground e ficaram maiores a cada disco, nunca explodiram”. A banda, no entanto, encerrou suas atividades em meados dos anos 90.

Nesta nova encarnação, o clima entre os integrantes do grupo parece mais ameno. “É muito melhor hoje em dia, estamos muito mais maduros. O Lou trouxe a família, o bebê. Agora conseguimos nos dar bem”, atesta Murph. O futuro, porém, é incerto. O baterista ainda não sabe o que acontecerá depois do encerramento da turnê. O motivo é o mesmo de sempre: “Não conversamos sobre o assunto. O J não fala muito. Então não sabemos. Na verdade, ele não mudou muito de lá pra cá”.

Indie de NY bomba mesmo sem major

Folha de São Paulo - 07/10/2005

Sem contrato com gravadora, Clap Your Hands Say Yeah vende mais de 20 mil CDs


Uma das bandas mais comentadas do cenário independente americano atual, o quinteto Clap Your Hands Say Yeah não tem gravadora e fez poucos shows fora de Nova York até agora. Ainda assim, já vendeu mais de 20 mil cópias de seu auto-intitulado álbum de estréia lançado em julho, muitas delas enviadas para sites de venda e lojas de discos descoladas por todo os EUA diretamente do apartamento que o grupo divide no bairro do Brooklyn.
A "maior banda sem contrato dos EUA", como vem sendo chamada pela imprensa local, tem sido assediada por gravadoras de todos os portes, das pequenas indies às gigantes majors. Prefere, no entanto, manter -ao menos por enquanto- o maior controle possível sobre seu trabalho.
Isso não a impediu de ter se associado recentemente à grande distribuidora de selos independentes ADA, ligada ao grupo Warner.
De Seattle, parada da primeira turnê da banda pelos EUA, Alec Ounsworth, vocalista e principal compositor do grupo, esforça-se para deixar claro: "Eu nunca conversei com ninguém da Warner. Precisávamos de ajuda na distribuição e a ADA pareceu uma escolha apropriada. Por acaso, eles são associados à Warner, mas o acordo não tem nada com a gravadora. É assim que eu entendo e é assim que deve ser entendido."
O contrato com a ADA não deixa de ser um exemplo do hype que se constrói em torno da banda. Pela primeira vez em anos, a distribuidora que trabalha com selos de porte e prestígio no meio independente, como Matador e Sub Pop, assinou um acordo de distribuição diretamente com uma banda. Para a Europa, a vencedora da disputa pelo passe do quinteto foi a Wichita, lar de gente como Bright Eyes e Yeah Yeah Yeahs no velho continente.
Ounsworth declara-se imune ao falatório. "A vida não mudou muito. Só temos andado por aí um pouco mais que o costume", brinca. Após o fim da tour, o Clap Your Hands Say Yeah tem shows marcados na Islândia, Inglaterra e Escócia. "Não esperávamos toda essa repercussão. Não acho que ninguém deva esperar nada. É melhor você saber o que quer, dar o melhor de si e então ver o que acontece. Não é muito diferente de uma corrida de cavalos."
Nesse páreo, o grupo não pode, porém, ser considerado exatamente um azarão. Seu sucesso evidencia a crescente força do site Pitchforkmedia.com, que, entusiasta do trabalho da banda, colocou-a no mapa do novo rock alternativo americano, com uma resenha favorável e algumas notas em sua seção de notícias. Foi o suficiente para que milhares de pessoas corressem atrás do CD e até David Bowie assistisse a um show. Referência máxima para nerds musicais de todo o mundo, o Pitchfork parece cada vez mais ser capaz de impulsionar novas carreiras ou destruir velhas reputações com uma simples resenha. Ounsworth prefere não se posicionar. "Não sei responder essa pergunta", diz o vocalista, quando questionado sobre o site.

Indie rock clássico
E quanto à música, que, no final das contas, é o que interessa? Ounsworth: "Nossa música é vermelho-alaranjada, com pitadas de amarelo e azul". Colocando em termos menos sinestésicos, o Clap Your Hands Say Yeah faz indie rock clássico, como se fazia muito bem nos anos 90. A psicodelia revistada do Neutral Milk Hotel e Olívia Tremor Control pode ser citada como referência.
A banda pode ser vista também como uma alternativa um pouco menos pomposa à grandiosidade de novas bandas como Arcade Fire e Wolf Parade. Ecos de new wave, pós-punk e até krautrock também podem ser encontrados no som do grupo. Mas é a voz de Ounsworth, descrita por muitos como a de David Byrne em início de carreira, que se destaca como elemento fundamental nas composições do CD. "Acho que ela complementa o som", diz. "As comparações [com Byrne] não me incomodam. Mas isso não quer dizer que eu as entenda."

Pantera Negra


Folha de São Paulo - 20/05/2005

A rapper cingalesa M.I.A., que vem ao Brasil em outubro, vira hit global com "dance" de protesto

Nascida na Inglaterra e criada entre vilarejos no Sri Lanka -terra natal de seus pais-, Maya Arulpragasam, ou M.I.A., como se fez conhecer (sigla do termo militar "missing in action", desaparecido em missão), agora lida com o assédio mundial.
Com apenas uma canção, "Galang", lançada em tiragem de 500 cópias no ano passado, M.I.A. ganhou espaço em festivais como Coachella (EUA), Sónar (Espanha) e Glastonbury (Reino Unido) e fez de seu primeiro álbum, "Arular", um dos mais aguardados deste ano. "Arular" chegou às lojas do exterior em abril e teve aprovação maciça da crítica. Publicações tão diferentes quanto as revistas "XLR8R", "New Yorker", "Uncut", "Fader" e o jornal "Sunday Times" festejaram o disco.
"Arular", que também vem ao Brasil em junho (Sum Records), é munido de batidas tão cruas quanto inventivas, e M.I.A. se vale de elementos do rap, jungle, dancehall, grime, bhangra e funk carioca para levar à pista de dança seu discurso. Nada mal para quem começou a fazer música há apenas três anos.
E mais: os brasileiros terão a chance de vê-la ao vivo no Tim Festival (entre 21 e 23 de outubro, no MAM do Rio). De San Francisco, M.I.A. falou à Folha.

Folha - Você nasceu na Inglaterra, foi ainda bebê para o Sri Lanka, viveu também na Índia e, com 11 anos, voltou à Inglaterra. Como isso a influenciou?
M.I.A. -
Acabei me acostumando e fui obrigada a gostar dessas mudanças. Tive que deixar de encarar isso como algo ruim. Onde quer que me levassem para viver, eu viveria. Em termos culturais, você tem que se adaptar. No fim das contas, aprendi a não me apegar ao meio em que vivo, aos bens materiais e às minhas coisas. Pensando no meu trabalho, sinto que tenho acesso a qualquer coisa neste planeta. Acredito que, se Deus me colocou em todos esses lugares, tento lidar com essas diferenças culturais, saber apreciá-las e refleti-las em meu trabalho. A música me deu uma identidade.

Folha - Seu pai foi do movimento revolucionário Tigres Tamil, não?
M.I.A. -
Ele tinha seu próprio movimento. Quando a população tamil lutava pela independência em relação ao Sri Lanka, o que acabou resultando na guerra civil do país, havia quatro movimentos separatistas, entre eles o Eros, do qual meu pai fazia parte. Eles trocavam informações entre si e treinavam um ao outro.

Folha - Seu pai chegou a pegar em armas?
M.I.A. -
O Eros era uma organização revolucionária estudantil. Eles passaram um manifesto que pregava a inteligência e a articulação como armas para sua luta. Queriam atingir seu objetivo de maneira não violenta. Mas as coisas não aconteceram dessa forma. O Exército passou a invadir as vizinhanças mais pobres, matar pessoas, incendiar vilarejos. Os atingidos eram pescadores, trabalhadores rurais, gente humilde mais ligada aos Tigres. Enquanto meu pai e os estudantes buscavam o entendimento, os Tigres tinham suas famílias assassinadas e decidiram revidar. Com a revolta popular, os Tigres cresceram e absorveram os outros movimentos.

Folha - Ele ainda está vivo?
M.I.A. -
Sim, hoje é escritor e ainda vive no Sri Lanka.

Folha - Por que batizar seu primeiro disco com o codinome dele?
M.I.A. -
Enquanto meu pai lutava, minha mãe também enfrentava um outro tipo de luta, a de ser uma mãe solteira não tão educada em um novo país. Nós vivíamos sem praticamente nenhum dinheiro. Sobre meu pai, eu ouvia os outros dizendo que era um grande homem. Mas tudo o que eu sabia era o que eu lia a seu respeito. Quando se escrevia sobre ele, se utilizava o codinome Arular. Para mim, esse nome ganhou características místicas. Enquanto isso, minha mãe dizia: "Tudo o que ele deixou para você foi um nome. Esse homem mal sabe o seu nome". Depois que cresci, decidi que queria transformar esse fato em algo positivo. Se tudo o que meu pai me deixou foi um nome, vou usá-lo. Quando eu buscava por Arular na internet, caía em uma foto do meu pai no site dos Tigres Tamil.

Folha - Você parece concordar com a feminista Emma Goldman, que disse: "Se eu não puder dançar, então não é minha revolução".
M.I.A. -
Qualquer revolução deve acontecer em favor das pessoas, deve partir das pessoas para as pessoas. A dança é uma das expressões mais primitivas do ser humano. Se você não consegue fazer música que se conecte com as pessoas, que as faça se mexer, por que perder tempo fazendo?

Folha - Você esperava gerar tanta repercussão?
M.I.A. -
Não sei o que eu esperava. Na verdade, não esperava nada. Descobrir a música foi descobrir uma nova linguagem.

Folha - A descoberta é recente?
M.I.A. -
Comecei a fazer música há três anos. Cada passo que tenho dado é completamente novo. Excursionei registrando em vídeo uma turnê do Elastica com a Peaches, de quem eu ganhei meu primeiro teclado. Pensava que, se fizesse música, teria acesso a 500 pessoas por dia, para quem poderia dizer coisas que eles nunca teriam ouvido antes. Não pensei mais nisso por uns três anos. Fui ao Sri Lanka, fiz uma exposição que foi muito premiada... Então voltei a conviver com o pessoal da música e comecei a compor.

Folha - A faixa "Bucky Done Gun" é inspirada no funk carioca. Como ela foi feita?
M.I.A. -
Eu estava com meu álbum praticamente pronto, mas ainda queria incluir algumas músicas. Naquele momento, achava que sabia tudo de música. Então escutei uma mixtape do Diplo e achei incrível. Não queria fazer mais nada a não ser ficar limpando meu apartamento escutando funk carioca. Tudo o que eu gosto em música estava lá. Levei o CD para algumas pessoas de Londres escutarem, e eles acharam meio cafona. Amei até o fato de essas pessoas acharem brega. Esse lance está tão à frente de tudo que as pessoas ainda não entendem.

Folha - O que significa "Galang"?
M.I.A. -
Na Jamaica, quer dizer "vá adiante". Também é um tempero tailandês e um campo de refugiados no Camboja...

DJ americano rebola com "porcaria" do funk carioca

Folha de São Paulo - 16/04/2005

Chega ao Brasil no mês que vem o primeiro trabalho do produtor e DJ americano Diplo. Intitulado "Florida", em homenagem ao Estado onde ele passou boa parte da infância e da adolescência, será lançado pelo selo paulistano Slag Records. Nele, Wesley Pentz -seu nome de batismo- joga segundo as regras das colagens de batidas de hip hop downtempo estabelecidas pelo DJ Shadow, com quem tem sido comparado.
Introspectivo, de ares quase cinematográficos, o álbum cravou um lugar em muitas listas de melhores do ano passado em revistas e jornais estrangeiros. Uma faixa, porém, destoa do resto do CD e deve chamar a atenção dos brasileiros -que podem vê-lo ao vivo no Tim Festival deste ano, evento para o qual já foi sondado.
"Diplo Rhythm" une vocais do jamaicano Vybz Cartel, da britânica Sandra Melody e dos funkeiros Pantera e os Danadinhos, que entoam versos como "nós transamos todo dia, parecemos viciados/de manhã, de tarde, à noite, o lance é namorar pelado".
"Os brasileiros que encontro nos EUA dizem que o funk é a maior porcaria que já saiu do país", fala, direto de seu estúdio na Filadélfia, no dia seguinte a uma apresentação com a namorada M.I.A. "As pessoas aqui pensam o mesmo do hip hop dirty south. Eu acho demais. Vou atrás de coisas com energia. Se fosse brasileiro, teria orgulho do funk."
Não por acaso, tanto o dirty south (o rap malemolente do sudeste americano) quanto o "baile funk" são descendentes diretos do Miami Bass, que serviu como trilha para seus anos na Flórida.
O primeiro contato com o pancadão veio no ano passado através de amigas argentinas. "Elas chegaram com uma fita de funk. Eram umas músicas mais antigas, mas eu fiquei louco com aquilo. Para mim era como punk rock."
Gostou tanto que decidiu vir ao Brasil. Duas vezes. Na primeira, perdeu um bom tempo até descobrir que não era nas lojas de discos que deveria procurar o estilo. "Era como se aquilo não existisse. Eu ficava pensando se essa música era underground a ponto de não ser encontrada em nenhuma loja. Mas em qualquer táxi só tocava funk. Então vi que o caminho eram os camelôs."
Já enturmado, quando vem ao país, freqüenta bailes de periferia com Marlboro e filmou numa favela o clipe de "Diplo Rhythm".
Em "Florida", Diplo mostra seu lado mais tranqüilo, mas é atuando como produtor que se tornou um dos nomes mais requisitados do cenário eletrônico atual, justamente por injetar elementos "rebolativos" no trabalho de outros artistas. Entre suas colaborações, estão parcerias com Prefuse 73, Le Tigre e Kano, promessa da fervilhante cena grime (o novo hip hop eletrônico britânico).
Nenhuma delas, porém, tem sido comentada como "Bucky Gone Down", faixa de "Arular", álbum de estréia de M.I.A. A cantora cingalesa radicada em Londres recita letras políticas -seu pai foi guerrilheiro no Sri Lanka- em cima de bases explosivas, fundindo hip hop, dancehall, grime, ritmos asiáticos e funk carioca.
Quando discoteca, Diplo joga para a torcida. Começou a forjar seu estilo quando tinha 16 anos, tocando Led Zeppelin, Beastie Boys e James Brown para famílias de classe média e em um hotel em Daytona Beach, cidade próxima ao local onde seus pais possuíam uma loja de iscas. Já formado na faculdade de cinema e trabalhando como professor, cuidava da trilha sonora dos bailes da escola. "Eu toco coisas que a molecada gosta: house mais louco, dirty south, hip hop. Eles amam."
Passou a ser convidado para tocar em outras escolas. "Hoje em dia, às vezes me chamam para discotecar por uma grana inacreditável, coisa que eu nunca imaginaria ganhar. Eu fazia essas festas por US$ 50 [R$ 129]. Fazia de graça, se fosse o caso. Quando os professores se divertiam, chegavam a pagar US$ 75 [R$ 193]."
Decidido a viver de música, alugou um clube na Filadélfia com o parceiro Low Budget e inventou a festa semanal Hollertronix, em que acrescentou uma boa dose de pop dos anos 80 ao som que tocava nas festinhas escolares. Resultado: foi eleita uma das melhores de 2003 pelo "New York Times".
Uma busca pelos programas de compartilhamento de arquivos pode trazer como resultado algumas das melhores provas das habilidades de Diplo com os toca-discos: as mixtapes "Piracy Funds Terrorism - Vol.1" (funk carioca, M.I.A., anos 80), "Hollertronix T5 Soul Sessions" (anos 80) e "Favela on Blast" (funk carioca).