30 de mai de 2007

música serve pra isso


"open field is the best thing ive ever done in my life"

Isso foi o recado que o Ed, gringo gente fina iluminador das tours do CSS, deixou no meu Flickr. O show de ontem foi um lance mágico. Tá certo, 98% do público não entendeu nada. Dava pra ver a interrogação na cara das pessoas. Neguinho fica intrigado mesmo: "um bando de gente berrando músicas no palco... o que isso tem de especial? por que eles tão lá em cima e eu aqui em baixo? por que, com tanto artista 'bom' no país, o Kieran foi escolher logo esses idiotas mal ensaiados?". Tudo tem resposta, ou não. Logo no primeiro encontro (foto acima), quando estávamos só eu, Kieran e o Du, já deu pra sacar por que ele escolheu a gente: ele é um Open Field de coração. A resposta dele pra essa pergunta em uma entrevista foi algo como "o que poderia ser melhor que tocar com um monte de amigos se divertindo junto?". Kieran e outros gringos - Ed e Tom, empresário do Four Tet, que se juntaram ao coral; o pessoal da organização do TrocaBrahma, que tava eufórico com a apresentação - sacaram o espírito muito mais que a blaselandia que lotou o Studio SP. Não é muito comum ver gente deixando o pudor de lado pra celebrar, sorrir, cantar a plenos pulmões, espantar o carvão e, principalmente, se divertir muito. É estranho, gera constrangimento. Mas nós estamos aí justamente pra isso. Quem tiver na nossa que venha junto. Te garanto, é muito mais legal. E o Reino Unido que nos aguarde.

ps Não preciso dizer que o show do Four Tet foi matador. Kieran é mestre, muito mestre.


Os sorrisos felizes se multiplicaram no palco. Na platéia nem tanto. Mais fotos em www.flickr.com/photos/trocabrahma

15 de mai de 2007

Essa saiu na Rolling Stone

Klaxons (três estrelas)
Myths of the Near Future

O bom e velho pop

New rave, nu-rave, indie rave, rave rock, beleza. Aí você bota o play pra rolar. A bateria eletrônica entra num fade-in, após algum ruído. Chega bem marcada, quadradona. Baixão e teclados aparecem pra dar um clima. Entram os vocais, harmonizando, quase soft-rock. Boazona, essa “Two Receivers”. Mas, epa, espera aí, cadê a rave nisso tudo? Ah, tem umas sirenes na faixa dois, “Atlantis to Interzone”. Essa aí todo mundo conhece. Rockão dançante, frenético, mas de rave mesmo só as sirenes. E o álbum vai seguindo assim, meio esquizofrênico, uma música bem diferente da outra, cheio de idéias - quase todas bem legais. E as referências, claro, pode anotar: Bowie, Blur, Orange Juice (talvez via Franz Ferdinand), TV on the Radio, tudo bem costuradinho pelas mãos do produtor James Ford, do Simian Mobile Disco, outro egresso da tal “cena”. Resumindo: a história da new-rave, que, na real, começou como piada em uma entrevista dos caras e acabou servindo para a mídia empacotar toda uma cena está muito mais para os mares de roupas e bastões fluorescentes nas platéias e palcos do que para o som da(s) banda(s) em si. E esse Myths of the Near Future é um belo disco pop. Com algumas sirenes.

8 de mai de 2007

Finalmente

Brazz-ill parte 1
Brazz-ill parte 2
Tá aqui a coletânea Brazz-ill, que acompanhou a revista Gonzo Circus, que é tipo uma The Wire holandesa. Além do CD (que tem Vurla! - lágrima furtiva), a revista traz uma matéria sobre o que tá rolando na cena "leftfield" brasileira, com depoimentos, entre outras pessoas, do Gui e meu. Gui, aliás, que indiretamente batizou a coletânea ao criar o termo "Braz-ill". Sente o tracklist do disco:

- Agentes (Anvil FX remix) - Agentss
- Krautdemonish - Vurla
- O Que É, O Que É? - Lacertae
- Parada Obrigatória - Headphone L
- Procedimento 3 - Bojo
- Amarelo é Vermelho - Hurtmold
- 7 - M.Takara
- A História Oficial - Instituto vs. DJ Dolores
- Numtointendendu (M.Takara remix) - Kamau
- Zé Rico - Debate
- Eu Protesto - Tony da Gatorra
- Cinzas de Carnaval - Lulina
- Despertador - Stela Campos
- Acum-Maha - Tom Zé
- Comendo Faça - Satanique Samba Trio
- Poscoce - PexbaA
- O Avesso da Tristeza - Tara Code
- Milo de Cabeça - Anvil FX
- Dance Music Vol IV - LCD

Los Hermanos


Folha de São Paulo - 22/02/07

Não, não é o grupo carioca, mas a geração que está tirando o mofo do rock argentino com experimentos eletrônicos, psicodelia, surf music e letras em inglês; discos chegam ao Brasil pelo selo Maldita Sea!

O cenário do rock argentino passa por um inédito momento de efervescência. É no meio chamado independente que a atual produção musical do país encontra sua face mais vibrante, e toda uma cena, com selos, produtores e, claro, público, tem se construído ao redor dos novos artistas.
Os meios de comunicação já acordaram para esta movimentação. Veículos como a "Rolling Stone" local, a "Los Inrockuptibles" (versão argentina para a revista francesa), além dos cadernos culturais dos principais jornais, têm dado crescente destaque aos novos nomes.
"No momento, Buenos Aires é um lugar muito bom para se fazer e desfrutar música", acredita o quase veterano Rubin, que após fazer história com sua ex-banda Grand Prix, com a qual chegou a lançar dois discos na Espanha, agora segue em carreira solo. "A cena indie é riquíssima e está mais variada do que nunca."
Produtor de bandas como a festejada Mataplantas e líder da Valle de Muñecas, Manza Esain faz coro: "Além de variada, a cena está se renovando continuamente".
Variedade é algo que realmente não falta na nova geração argentina. A lista de revelações é extensa e abrange desde a chapação ultrapesada do Los Natas até o neotropicalismo do Doris, passando pelos experimentos eletrônicos orquestrados do Brian Storming, o garage rock festeiro do Tandooris, o indie rock psicodélico do Bicicletas e a surf music do Tormentos.
"O rock mainstream está estancado há anos e não dá sinais de que vá melhorar. O mais interessante está no underground", afirma Peter, vocalista do Los Alamos, um dos nomes mais fortes desta nova cena, que faz canções com letras em inglês. Os brasileiros têm a chance de conhecer o "narco-country" da banda através do EP Emboscada, lançado recentemente via Maldita Sea!, selo que em breve deve trazer ao país trabalhos de outros novos artistas argentinos, entre eles o ótimo El Mato a un Policia Motorizado, além de Los Natas e Fantasmagoria.
"Para quem conhece rock, não soamos como nada de novo, mas para a Argentina somos como extra-terrestres. Não falamos de nacionalismo, nem de futebol, nem do Maradona", diz Peter, resumindo um sentimento geral. Para Santiago Motorizado, vocalista e baixista do El Matoà, a internet tem papel fundamental na atual pluralidade da cena. "Ela deu a toda uma geração a possibilidade de ter acesso a muita música, de todos os lugares e de todas as épocas", explica. "Disso tudo só pode surgir algo bom, e é isso o que está acontecendo."

2 de mai de 2007

reticências

Maybe the sun will shine today
The clouds will blow away
Maybe I won't feel so afraid
I will try to understand
Either way

Maybe you still love me
Maybe you don't
Either you will or you won't
Maybe you just need some time alone
I will try to understand
Everything has its plan
Either way
I'm gonna stay
Right for you

Maybe the sun will shine today
The clouds will roll away
Maybe I won't be so afraid
I will understand everything has its plan
Either way