22 de dez de 2009

em 2009

- todos os DJs do mundo tocaram "Pon De Floor", do Major Lazer;
- todo mundo usou air horns em músicas ou DJ sets;
- a Made to Play provou que a Alemanha é a nova França;
- surgiu uma leva sensacional de música eletrônica não necessariamente voltada às pistas, com nomes como Javelin, Toro y Moi, Tanlines, Hudson Mohawke, Bibio, Neon Indian e outros;
- o Animal Collective tornou a competição pelo melhor disco inviável ao lançar nas primeiras semanas do ano o Merryweather Post Pavillion. Só pra humilhar, ainda lançou o EP Fall Be Kind. E olha que o Dirty Projectors quase chegou lá;
- falando neles, o Dirty Projectors fez o melhor show visto no Brasil;
- os ingleses tiveram que vender um disco bonzinho (The XX) como obra prima por falta de coisa melhor feita por lá;
- finalmente a Lulina lançou seu tão esperado disco "de verdade" e fez bonito;
- bandas como Real Estate, Ducktails, Girls, Air Waves e Wavves levaram o lo-fi para a praia;
- o electro-funk dos anos 80 ressurgiu como referência pra gente legal como Dam-Funk, Jimmy Edgar e Nite Jewel;
- os grandes festivais corporativos provaram-se totalmente desnecessários. A melhor música veio ao Brasil em shows pequenos;
- os hermanos da ZZK ganharam o mundo;
- bandas brasileiras perderam o medo de se aventurar no exterior, algumas, como Holger, Mickey Gang, Black Drawing Chalks e Garotas Suecas, conseguindo um belo retorno;
- Holger, Black Drawing Chalks e The Name fizeram os shows mais legais entre as bandas nacionais;
- a imprensa musical e a modernidade brasileira deixou passar boa parte de tudo isso.

um primero top 10 de 2009

coletâneas lançadas este ano que realmente valem a pena:

1. Legends of Benin
2. Warp 20 Box Set
3. Marvellous Boy: Calypso From West Africa
4. Psych-Funk 101 - A Global Psychedelic Funk Curriculum
5. 100% Dynamite NYC - Dancehall Reggae Meets Rap in New York City
6. Panama 3 - Calypso Panameño, Guajira Jazz & Cumbia Tipica on the Ishtimus 1960-75
7. Ghana Special - Modern Highlife, Afro Sounds, Ghanaian Blues 1968 - 1981
8. Africa Boogaloo - The Latinization of West Africa
9. Nigeria 70: The Definitive Story of 1970’s Funky Lagos
10. 5: Five Years of Hyperdub

16 de dez de 2009

isso cansa tanto

Escrever pra quem não sabe ler. Pra quem prefere não entender. Será que eu realmente tenho que explicar que não tenho nada contra a Bahia ou os baianos e, muito pelo contrário, tenho grandes amigos baianos e adoro o lugar? Neguinho é burro ou se faz de burro? Deixa eu explicar pros que se fazem de burrinhos: baiano em paulistês é gíria pra cafona. TODO MUNDO fala. Vocês sabem disso. O termo é tão antigo que acho difícil que alguém realmente relacione hoje em dia, ao usá-lo nesse contexto, com o povo da Bahia. Eu não relaciono e nem penso nisso. Me enche o saco essa patrulhinha hipócrita da correção política. Ainda mais quando os defensores da boa imagem da Bahia e dos baianos deveriam ter muito mais com o que se preocupar. Não tenho saco pra polemiquinha do século passado, então poupem seus comments pra vocês. E, antes que eu me esqueça, gostaria de informar à garota que botou um comment esperto no meu post que RACISTA É A PUTA QUE A PARIU. Agora, um recadinho pra mim mesmo:

Ei, Dago:
- você é burro pra caralho;
- por que você não fica quieto na sua, seu filha da puta?;
- vai tomar no cu.

14 de dez de 2009

e lá vamos nós

Os 00 foram a década do nada pros preguiçosos. Pros mal informados. Pros velhos. Pra imprensa musical brasileira. Sempre burra, sempre dependente, sempre viciada. Deve ter sido realmente uma década difícil pra quem sempre se pautou por 1. os discos que as majors enviavam semanalmente 2. duas ou três publicações gringas. A única coisa que o Álvaro Pereira Junior acertou na coluna dele dessa semana foi em dizer que esta foi a década da pulverização. Por isso mesmo ficou mais difícil - e também mais fácil - mapear o que foi feito de boa música. Se, por um lado, acabaram as unanimidades, por outro, nunca se fez música de qualidade em tanta quantidade e nunca o acesso a esta produção foi tão fácil. Sobre isso, vale ler este texto do Simon Reynolds. Mas é difícil esperar muito de um cara que descobriu o Telepathe um mês depois da banda passar por debaixo do nariz dele na capital paulista. Falar que não houve inovação em uma década que começou com os Avalanches ensinando que se podia fazer uma obra prima com retalhos na base do cut and paste, viu o hip hop expandir seus limites de forma espantosa, passou pela demolição da figura do ídolo em cima do palco nas marretadas do Lightning Bolt e na catarse coletiva promovida pelo Dan Deacon, dançou com batidas eletrônicas elaboradas nas mais distantes periferias do mundo, e, pelas mãos de gente como Animal Collective e Dirty Projectors encontrou novas maneiras de se fazer música pop é, no mínimo, um desserviço ao jovem leitor do Folhateen. Mas, fazer o que, se as revistas que ele lê só falaram dos Strokes, Libertines, hippies e sambistas indie? Nos 00 olharam pro passado os saudosos do passado. Como o próprio Álvaro.

11 de dez de 2009

ei, você!

1. que usa camiseta do Guns'n'Roses na balada
- essa banda sempre foi uma merda;
- essas camisetas são horríveis;
- ironia era legal nos anos 90.

2. que tem blog de música
- ninguém quer ler mais uma opinião sobre o Radiohead;
- ninguém quer ler a tradução da notícia quentinha que a Pitchfork acabou de soltar;
- sua lista de melhores da década não é a lista dos melhores da década.

3. que acha o último grito do descolamento ir em balada de hits
- você é baiano;
- ironia era legal nos anos 90;
- morra.