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17 de jul. de 2009

delícias da semana


Gauchito Gil (Ghislain Poirier remix) - Fauna - A nova coletânea da ZZK (ZZK Sound Vol 2) chegou ainda melhor que a primeira, do ano passado. Se a primeira era legal pelo espírito novidadeiro, apresentando ao mundo a cumbia digital, esta nova dá concisão ao estilo, com os produtores mais afiados e uma proximidade maior com gêneros como dubstep e idm. É tão boa que foi difícil escolher um faixa. Fiquei com esse remix do Ghislain Poirier - sempre ele - para o Fauna, os caras que fizeram um puta show no Vegas umas semanas atrás.

Fables - The Dodos - passadas duas semanas do vazamento, já deu pra concluir que Time To Die, novo disco do agora trio americano, não é nem de longe tão impactante quanto o anterior, Visiter. O baterista suavizou a pegada africana, enquanto a aposta aqui parece ter sido na complexidade. Mas tudo chega de forma sutil. Conquista aos poucos. E tem hits deliciosos, como esta "Fables", o primeiro single.

Never Seen - Lightning Dust - Esse é um projeto da Amber Webber e do Joshua Wells, do Black Mountain. O primeiro disco, de 2007 é legalzinho, mas não chega a empolgar. A julgar por este primeiro single, o novo trabalho, previsto pra sair em agosto, vai ser de lascar. Never Seen projeta elementos do universo dos anos 70 em que gravita o Black Mountain no futurismo dark do The Knife. Brian Eno ficaria orgulhoso.

Make It Take It - Amanda Blank - new-wave-electro-rap-delícia. Como não gostar?

13 de out. de 2008

pop montreal - dia 4

montreal
De tarde, passei no Divan Orange pra ver o Macaco Bong. O mais engraçado é entrar nesse pub, pequeno e com um cheiro que mistura suor e cerveja, e dar de cara com Owen Pallet tomando uma cervejinha enquanto escreve partituras em seu computador. Antes dos Macacos, assisti a um show simpático do D'urbevilles, banda de moleques espertos de Toronto. Tinha muita gente lá pra vê-los e boa parte do público foi embora antes do show dos brazucas. Ainda assim ficou bastante gente importante na platéia e, quem viu, parece ter aprovado o show do trio. Saí de lá pra jantar com a cúpula do Pop e alguns delegados internacionais na Sala Rossa. A Sala Rossa é o clube espanhol, adquirido pela turma da Constellation pra realizar shows no salão principal. O restaurante também é deles. Mas os velhinhos espanhóis continuam utilizando o lugar, jogando baralho no meio da juventude descolada da cidade. Entre tapas deliciosos, o destaque foi para o queijo de cabra frito com melo. Delícia. De lá, tentamos pegar o show do Alden Penner na federação ucraniana. Chegamos na última música, uma pena, pois o que vi foi muito bom. Penner era um dos Unicorns, banda que deu origem ao Islands. O show é o cara cantando e tocando violão junto com dois saxofonistas. Voltamos para a Sala Rossa para garantir entrada para o show do Dodos e acabei descobrindo o Passion Pit. Na verdade, no jantar já havia um burburinho sobre a banda, labelmate do Dodos. São cinco caras, três tocando teclados, um baixo e uma bateria. O som tem muito de Hot Chip e Postal Service, com algo de disco e soul. Um dos tecladistas canta, e sua voz é muito estranha, muito aguda e quase desafinada. A verdade é que faltou pressão no show, mas fiquei de cara com as músicas e decidi levar o EP dos caras. Resultado: não paro de ouvir essa porra há uma semana. É muito bom, vai atrás. Aproveitei o show chatinho do Au pra tentar ver como estava o show do Lucy and the Popsonics. Cheguei no finzinho da última música e vi um lugar lotado ovacionando a dupla. Ganharam fudido. Nobre tava felizão vendendo merchandise pra caralho. Voltei pra Sala Rossa pra, finalmente, ver o Dodos.

Bom, em primeiro lugar, os caras lançaram um dos meus discos favoritos deste ano. Acho que só perde pro Why? e pro Max Tundra. Tava louco pra ver o show deles e parece que não era o único. O lugar tava abarrotado. Aí veio a notícia que o vocalista tava com mono e fiquei apreensivo. Bom, eles fizeram o show. Curto, mas fizeram. E o cara é foda. Os dois são foda. O vocalista, doente ou não, fica possuído, entregue a cada acorde, a cada berro. Usa dois microfones, uma pra cantar e outro pra fazer os backing vocals mais gritadaos, que são loopados. E o baterista é um caso à parte. Usa só três surdos e um chimbau. Suas levadas são totalmente diferentes do que se pode esperar de um duo folk, e o aro dos surdos é utilizado o tempo todo. De vez em quando, entra mais um músico no palco pra tocar vibrafone e marretar um latão. Coisa foda. Aí que depois do show curto, eles voltam pro bis e rola essa. Eu tava na segunda fileira e gritei "Winter". O vocalista olha pra mim e diz "Winter?". E eu: "É, vim do Brasil só pra ouvir isso ao vivo". Ele: "Poxa, desculpa...". Nisso, o baterista manda: "O cara veio do Brasil...". Eles pedem autorização pro cara da casa e começam a tocar "Winter". Antes, o baterista ainda solta pra mim um "You got it". Haha. A casa inteira virou pra mim e eu querendo derreter. Mas a música é foda e valeu a cena. Ficaram devendo "Red and Purple", mas não tive cara de pau pra pedir essa também.

Depois disso, passei pra ver o Hillotrons, mas nem empolguei e fui pra afterparty do North by Northwest. Começou morna, apesar da cerveja, vinho e comida grátis. Até que sobe no palco o Ninjasonik e, praticamente ao mesmo tempo, chega na casa toda a banca do Round Robin do Dan Deacon. Aí foi aquela loucura. Todo mundo se matando na platéia. Uma mão gigante vinha do mezanino passando a mão na cabeça de todo mundo. Cerveja voando a todo momento. E os caras fazendo aquele rap eletrônico tosco, mas divertidíssimo. Pra completar, os caras do Death Set subiram ao palco pra fazer em conjunto o mashup de "Tight Pants" com "Negative Thinking".

11 de jun. de 2008

ac


Tenho dito, e não sou o único, que o Animal Collective é o Velvet - ou o Soniquiúti - desta década. Goste ou não, eles são a banda atual que mais influencia e deve influenciar outras bandas. Tá, você pode falar do Justice, mas não tô falando aqui em clonar baixo distorcido. Tô falando na maneira de encarar e estruturar uma canção pop. Prova disso é o novo single do Sigur Rós, que traz o modo coletivo animal acionado no talo. Ouve e vê se tô falando merda:

- Sigur Rós - "Gobbledigook"

Ainda não tá convencido? Então baixa a listinha aí embaixo. E baixa com gosto porque é tudo muito bom. Aproveita e entende o que eu tô falando.

- El Guincho - "Palmitos Park"
- Dirty Projectors - "No More"
- The Dodos - "Fools"
- Born Ruffians - "Badonkadonkey"