- Damo Suzuki - ele não tocou no Neu semana passada porque perdeu o voo para o Brasil, mas toca na terça (02/06) na livraria da esquina. E, como já disse, perder é dar muito mole.
- A-Trak - toca na festa da Vice, também na terça. Bom, tudo o que dizem dele é que é o DJ do Kanye West. Isso é o que conta menos nos seus sets. Já vi dois, ambos destruidores. Primeiro, porque ele é muito técnico, mas usa o turntablism a serviço da pista. Segundo, porque, diferentemente do que a parceria com Kanye poderia fazer acreditar, seu set não é apenas de hip hop. Entra tudo o que é dançante, e, assim como entra, dá lugar a algo tão dançante quanto. Baixa os dois mix albuns (Fabric Live e Infinity + 1) que ele lançou esse ano e entende. Ah, algo muito importante: nas duas festas em que vi ele tocar, a concentração de gatas rebolando era absurda. Se bem que aqui, festa da Vice com cerveja e entrada grátis e shows do Jay Reatard e do King Khan, o lance tá cheirando a para-raio de assombração.
- Matt & Kim /No Age / Holger - não é que esse festival do Lúcio se saiu com uma noite e tanto? Em primeiro lugar, Matt & Kim. Bom, quem acompanha o Bima já não deve mais me aguentar pagando pau pra dupla do Brooklyn desde que os vi ao vivo no SXSW do ano passado. O show que vi esse ano só me fez virar mais fã da banda ao vivo - assim como os outros brazucas que tavam lá, como os Holgers, o pessoal da TramaVirtual, o Lúcio e o Boffa, que tá trazendo os caras. Tudo porque eles transformam um punk rock simples, tocado em teclado e bateria, em um canal de comunhão brutal com o público. Como poucos, eles entendem que o suor - da banda e da platéia - é ingrediente fundamental na construção de um show memorável pros dias de hoje. Isso, sem sair - mais ou menos - de seus instrumentos estáticos. Olha o que eu tô tentando explicar no vídeo que o Beto fez. E não deixa de ir no Clash no dia 06/06.
E aí tem o No Age. Confesso que o único show que vi deles foi morno, num showcase numa tarde ressacosa. Meus amigos que os viram esse ano falaram que o show foi ótimo e botó fé que aqui vai ser também. A dupla de LA é o maior expoente da cena que surgiu ao redor do clube The Smell (onde despontaram também nomes como Mae Shi, HEALTH e Abe Vigoda) e, pela Sub Pop, lançaram um disco pela Fat Cat e outro pela Sub Pop que são as melhores coisas dessa atual retomada mundial do lo-fi. Esperem por muito barulho. E só isso aqui ao vivo vale o preço do ingresso:
E do Holger, eu só posso dizer que não tem show brasileiro mais legal que o deles atualmente. E que as músicas novas, essas sim, tão de gente grande.
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28 de mai. de 2009
porque#2
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25 de set. de 2008
santogold + altas surpresas

Parecia que a noite tava fadada ao desastre. Pra começar que cheguei no hotel de Toronto e não achavam minha reserva. Legal. Quer dizer, já tinha começado antes, com o cancelamento do Mogwai / Fuck Buttoms, que era o único motivo da minha vinda de um dia pra cá. Demorou pra caralho, mas acharam. E, obrigado priceline, por me achar um hotel de putão por preço de motel. Pena que aproveitei muito pouco porque o show tava marcado pras sete da noite. Aí que fui correndo pro pico e... chego lá e o lugar ainda tá vazio. E eu não tinha jantado. E eu já tinha certeza que ia ser uma merda. Quase oito e entra uma banda de abertura, Low Vs Diamond. Fraquinha. Tipo, ouviram U2 demais. As outras 10 pessoas que tavam por lá até que gostaram. Eu já tava pensando em desistir, voltar pro hotel. O lugar era uma balada bonitona, mais ou menos com metade do tamanho da Clash. Daí vi um cara com a camiseta do Palmeiras e, claro fui trocar idéia. Quando me dei conta, a casa já tava começando a encher. E entrou no palco a primeira surpresa, o Let's Go To War. Já tinha falado deles aqui. O show é foda. São quatro pessoas no palco: um DJ, um tecladista, um baterista e um MC. Show massa, mistura de hip hop e eletrônica na medida. E quem entra em seguida? A-Trak, o cara. Ele é foda mesmo. Segunda vez que vejo ele tocando e segunda vez que fico de cara. Ele mistura farofada com coisa fina, dá show de virtuosismo, mas tudo em prol da pista. Pista, que a esta altura já estava lotada. E que beleza de pista, tipo um melting pot gone right de garotas lindas e descoladas: loiras, orientais, negras, latinas. Belo público, esse da Santogold. E o show dela foi do caralho. O lance é só ela, um DJ, e duas backing vocals / dançarinas, que são uma mistura de hoochie mammas com o exército do Professor Griffin do Public Enemy. Ela tem voz de verdade e, como não tem banda, carrega mais no reggae / batidão do que na new wave. Rolou a versão de "Guns of Brixton" e esse lance massa, com base sampleando Panda Bear:
No fim das contas, valeu a pena. E muito.
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