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12 de jan. de 2009

e você, acredita?

matéria minha sobre o Dan Deacon que saiu na nova edição da revista +Soma. Dá pra baixar a revista em PDF aqui.


“VOCÊ ACREDITA EM DEUS?”

Quem pergunta é Marcelo Altenfelder, o Pata, integrante da jovem banda paulistana Holger. Sentado em frente a ele, na ponta de uma imensa mesa, lotada e disposta no melhor estilo “família vai à cantina” em um bar da Vila Madalena, está Dan Deacon, o cara que chamou a atenção para Baltimore como uma das mais empolgantes cenas musicais surgidas nos últimos anos.

“Claro. Em todos eles.”

“Você acredita que uma pessoa pode ser Deus por alguns instantes? Que você pode ser Deus?”

“DEFINITIVAMENTE”

De fato, o gordinho careca de óculos havia, poucas horas antes, freqüentado o panteão de deuses temporários de muitos dos presentes na arena armada no Parque do Ibirapuera para mais uma edição do Tim Festival. A maior parte, provavelmente, nunca havia ouvido falar dele, o que tornas as coisas mais interessantes.

“Não sei bem porque este festival me chamou”, disse Deacon pouco depois de chegar ao país. A dúvida fazia sentido, uma vez que parte da produção do evento não fazia idéia de que ele faria um show ao vivo e não um DJ set. Alguns até mostraram surpresa quando souberam que ele tocaria no chão, uma de suas marcas registradas.

E FOI DO CHÃO QUE ELE
COMANDOU A CONVERSÃO: A
“BLASÉLÂNDIA” PAULISTANA
DEIXOU SUA EMPÁFIA TÍPICA
DE LADO E CAIU NA FOLIA
REGIDA PELO GORDUCHO QUE
ENCHARCAVA DE SUOR A PUÍDA
CAMISETA DE COR CÍTRICA, OUTRA
CONSTANTE DE SEUS SHOWS.

Pilotando uma mesa repleta de tralhas low- tech (Casiotone, pedais, um sem-fim de cabos, um iPod Shuffle, uma caveira que brilha no escuro), ele fez todos dançarem e os sorrisos se multiplicarem ao som de uma eletrônica torta, às vezes quase cafona, mas ao mesmo tempo vanguardista e pesada, muito pesada. Sua voz, distorcida pelos pedais, sai caricata, e é assim que ele organiza um concurso de danças e um túnel de festa junina, entre outras situações pouco prováveis para os que carimbam anualmente seu passaporte do verniz cultural no festão alterna-corporativo.

“Realmente gosto de dar ordens”, brinca Deacon. O assunto não é o show, mas o Round Robin, projeto que o músico concebeu e capitaneou até duas semanas antes de vir ao Brasil. Eram vinte bandas – a maioria do coletivo Wham City, de Baltimore, que Deacon ajudou a criar – rodando os Estados Unidos e o Canadá em um ônibus escolar movido a biodiesel, se apresentando em grandes galpões, com cinco palcos no chão, por duas noites seguidas.

Idéias como esta surgem a todo instante na cabeça de Deacon. No carro, inspirado pela onipresença do concreto da paisagem paulistana, inventa um conto e divide com os companheiros de viagem. No bar, propõe novas turnês e acampamentos itinerantes.

DEACON ESTÁ ACOSTUMADO,
REGIDO PELA ÉTICA DIY, A BOTAR
COISAS EM PRÁTICA. “NÃO É
QUESTÃO DE DINHEIRO”, DIZ A
TODO MOMENTO.

Como que para provar, decide fazer um show surpresa, na mesma noite em que saiu consagrado do festival. O lugar escolhido é o estúdio Sala 222, de Sérgio Ugeda, integrante da banda Debate e cabeça do selo Amplitude e da produtora Tronco. Cerca de quarenta pessoas revivem com intensidade turbinada por muitas doses de drinques os momentos do show anterior, só que condensados em um cubículo do tamanho de um quarto de casal.

“Vamos levantar esse baixinho aí”, ordena, e lá vai um fã ser passado de mão em mão em um minicrowd surf. Entre os presentes, está Joshua Lee Kelberman, do duo Santa Dads e amigo de Deacon desde a faculdade. Deacon dispensa empresários e técnicos de som e prefere levar amigos em suas turnês. Kelberman foi o sortudo da vez. “Foi Dan quem me incentivou a fazer música. Eu achava que música era só pra quem tinha um certo dom. Ele me mostrou que qualquer um pode fazer música.”

Por causa de Joshua, natural de Baltimore, Deacon se estabeleceu por ali. “Eu era pobre, e lá era barato”, resume. Foi lá que nasceu a Wham City, uma turma de artistas multimídia instalados em um galpão-residência-casa- de-shows sob a inspiração de outro coletivo semelhante, o Fort Thunder, surgido em Rhode Island nos anos 90, capitaneado pela insana dupla Lightning Bolt. “Brian Chippendale (quadrinista e baterista do L. Bolt) é meu maior ídolo. Nós até somos meio amigos. Uma vez mandei um e-mail falando o quanto ele era importante para mim e ele respondeu perguntando se eu estava bêbado. Claro que eu estava”, conta Deacon.

No backstage, após o show no festival, Deacon pede alguns minutos para relaxar. “Foi bom o show? Não vejo nada quando estou tocando.” Antes de sair, pede para que ajudemos a limpar o camarim. “Esse serviço fica sempre para os mais pobres. Não acho justo.” Que Dan não se surpreenda se, depois da curta passagem pelo país, ele passar a receber e-mails bêbados vindos do Brasil.

28 de out. de 2008

se você não gosta das músicas...

Ainda não passou meu momento tiete do Dan Deacon. Se você não se deixou contagiar, alguns motivos pra gostar do cara:

1. Assim que me viu, já elogiou minha camiseta do Mae Shi;
2. É fã do Lightning Bolt;
3. Antes de ir embora do Timfa, fez questão de arrumar o camarim. "Sobra sempre para os mais pobres fazer esse serviço";
4. Ele desenhou cada um dos moleques que pediu autógrafo antes do show no Tim;
5. Fez um show grátis para pessoas que ele mal conhecia na mesma noite em que tocou em um dos maiores festivais do país;

27 de out. de 2008

da pesada


Não vi tudo do Timfa, mas, do que eu vi, só dois shows foram bons de verdade: Dan Deacon e The National. E teve a participação do Har Mar Superstar no Neon Neon, que valeu o show. Mas quero falar é da passagem do Dan Deacon por aqui. Primeiro, tenho que dizer que o cara é um dos meu heróis da atualidade. Ele conseguiu traduzir o legado do Lightning Bolt - show no chão, coletivos underground, público tomado pela música, entrega total nas apresentações, DIY, diversão e consciêcia andando de mãos dadas - pra uma audiência maior, capitaneando toda uma geração de novos nomes que voltaram a fazer música pela música e não pelo oba oba. Posso dizer que passar alguns dias ao lado dele, portanto, foi uma honra. Mais legal ainda foi vê-lo ao vivo duas vezes. Não, eu não fui pro Rio. Ele tocou na casa do Sérgio, meu camarada, e figura por trás do Diagonal, Debate e Amplitude, entre outras coisas, depois do show do Tim.

Acontece, meu camaradinha, que o show do cara - assim como da maioria das bandas que mais têm me interessado na atualidade - é pra quem se entrega. Não rola pra quem fica lá atrás batendo papo. O legal foi que, entre os que decidiram se jogar, estavam desde uma molecada dezesseizanos - esses tavam lá desde antes de abrir a arena e tietaram o cara quando a gente passou em frente pra jantar - até indies véios. E o negócio foi contagiante. Não é um transe, como muitos por aí descreveram. O lance é mais lúdico, de diversão coletiva e celebração conjunta - sorrisos gerando mais sorrisos. O gordinho careca, nerd e de óculos conseguiu demolir com barulho, simpatia e boas melodias a empáfia blasé paulistana. Vale lembrar que, ao contrário do acreditam a organização do Tim e muitos jornalistas, Dan Deacon não é DJ. Faz música na hora com um set up tosco, com Casiotone, iPod Shuffle e muitos pedais. E, do chão, comanda a multidão como poucos fazem do palco - portanto, etá bem mais pra MC que pra DJ. Acabado o show, ouvi coisas como "Top 5 da minha vida" ou mesmo "Melhor show da minha vida".

Disso pra "melhor dia da minha vida" ou "um dos momentos mais mágicos que já vivi" foi um pulo. Com uma passada no Genésio. Durante um papo que passou obrigatoriamente por Lightning Bolt e devoção a Brian Chippendale, música para acampamentos, Tony da Gatorra, idéias de turnês quase mirabolantes ainda que possíveis e culminou com a história do show do Wolf Eyes no Milo, ele solta: "me arruma um P.A. que eu faço um show agora". Sérgio bateu no peito, chamou pra si, e ele fez o show. Todos e quem mais conseguimos avisar fomos para a casa dele, aka Sala 222, e a celebração prosseguiu. Não foi só show, foi festa mesmo. Teve até discotecagem, com direito "Gin and Juice", "Hokie Pokie" e muito Michael Jackson. E quem tava lá se divertiu muito. Olha um videozinho feito pelo Pedro do que foi aquilo:

14 de out. de 2008

pop montreal - dia 5

montreal
A última noite de Pop Montreal começou pra mim com o show do Wire. Cheguei atrasado e perdi cerca de 20 minutos da apresentação. O show foi bom, o caras ainda são precisos e ver coisas de discos que eu adoro, como o Pink Flag e o Chairs Missing, ao vivo não tem como ser ruim. Mas faltou emoção. Daí fui conhecer o tal Round Robin organizado pelo Dan Deacon. O lance funciona assim: por duas noites seguidas, a primeira encabeçada pelo Beach House, e a segunda pelo próprio Deacon, eles montam cinco palcos precários ao redor de um galpão, em que 12 artistas se revezam, cada um tocando uma música por vez. Perdi a primeira noite pra ver o Dodos e outras coisas, e cheguei no meio desta segunda, que, além do Dan Deacon, tinha gente como Death Set, Adventure, Video Hippos e Height. Insanidade pura, o lance. O público fica no meio e vai rodando de "palco em palco" (é tudo no chão mesmo) e vê-se todo tipo de apresentações, das mais legais até umas coisinhas mais ou menos. Mas a vibe do negócio é tão incrível que dá pra se deixar levar até pelas mais ou menos. A foto acima do Dan Deacon descreve um pouco do que é estar lá no meio, então nem vou falar mais. Saí de lá com 15 anos. Ainda fui pra after party dos voluntários. Cheguei depois do show do Passion Pit, mas peguei uma discotecagem cabulosa do Ghislain Poirier. Durou até acenderem as luzes do lugar. Ainda fizeram o cara voltar e tocar mais umas pedradas. Depois me arrastaram pra uma afterparty da afterparty num casarão com discotecagem no youtube e todo mundo muito retardado. Mas aí o festival já tinha acabado.

4 de mar. de 2008

3 de mar. de 2008

entre nós

O Palugas notou, no final de um informativo do Studio SP, algo que muita gente deixou passar:

28/03 - Sexta - I-Nova - Dan Deacon (USA)

Bom, agora que tá informado, dá pra entender o que eu quis dizer com este post. Pena que, pelo que sei, tavam rolando umas tretas de visto e talvez a visita do cara seja adiada por uns meses.

18 de jul. de 2007

o futuro é no chão

Curto muito o movimento de artistas que vêm abolindo o palco como divisória entre eles e o público. De Yacht a Girl Talk, passando pelo Lightning Bolt e outras bandas da Load Records. O Lighting Bolt e seu Fort Thunder acabaram inspirando, em Baltimore, um coletivo / cena que é das coisas mais fodas da atualidade: Wham City. Você já deve, a esta altura do campeonato, ter ouvido falar do Dan Deacon e seu Spiderman of the Rings, disco que levou nota altona na Pitchfork e tudo mais. O que poucos sabem é que ele é um dos fundadores da Wham City, que nasceu em um dormitório de universidade em Nova York e encontrou seu lar em um galpão em Baltimore. O que rolava lá, ao que parece, é pura insanidade. Pena que, recentemente, o galpão tenha sido desativado. Além do Dan Deacon, o tal coletivo compreende nomes como Ecstatic Sunshine, Videohippos, Santa Dads e o também "famoso" Cex. Sente um pouco do que eu tô falando:



O Dan Deacon gravou o "hino" da Wham City no Spiderman of the Rings:

- Dan Deacon - Wham City (MP3)
- aqui tem um matéria ótima - e longa - sobre a Wham City.
- aqui tem um coletânea virtual legalzona com os artitas da cena.
- Wham City no Myspace