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28 de abr. de 2009

mais sxsw no radiola

parte 2, com Daniel Johnston, Passion Pit, Au Revoir Simone, Cursive, No Age e Matt & Kim:


parte 3, sem cortes (a versão que foi ao ar na Cultura foi censurada por conta do estado da Fê em dado momento), com Girls, Mae Shi, Woods, Wavves, Popo, Pre, Dark Meat, patinação artística com Holger, Holger ao vivo, Grizzly Bear, Dinosaur Jr, Pterodactyl e Starfucker:

2 de out. de 2008

sobre a segunda noite da trinca abaixo

Só tenho a dizer que foi ainda melhor que a primeira. E que o Dinosar Jr tocou "Just Like Heaven". E que o Built To Spill tocou "Carry The Zero" e eu chorei alguns baldes. Ah, e que o J Mascis participou dessa música.

26 de set. de 2008

built to spill, dinosaur jr, meat puppets

Ontem foi a primeira noite. Cheguei com o Meat Puppets já iniciado. Mas deu tempo de ver bastante coisa, quase o show todo. Fiquei impressionado com o estado do Cris Kirkwood. Tá parecedo uma mistura de J Mascis com Caniço. Destruído. O Curt tá mais inteiro, mas fez o show usando calça de pijama. Enquanto o primeiro praticamente só faz barulho com o baixo, o segundo trabalha com timbres e texturas, soltando belos fraseados e ruídos esparsos que moldam o cowpunk da banda. Belíssimo aquecimento. Dinosaur Jr ao vivo impressiona. J Mascis é quase um autista. Toca cercado por um biombo de Marshalls, mal se mexe e parece concentrar todo tipo de comunicação na ponta dos dedos - um savant da guitarra. Enquanto isso, Lou faz o papel do cara legal, e o Murph é apenas o Murph. Juntos, o que posso dizer é que produzem um esporro fudido. A surpresa é que o show foi um best of de todas as fases, incluindo coisas da época em que a banda não teve o Lou, como "The Wagon", "Feel The Pain" e "Out There". Se o Dinosaur Jr se pauta pela violência, o lance do Built to Spill é delicadeza e precisão. Tanto que levou a primeira música toda pra acostumar os ouvidos ao som mais "baixo" do BTS. Fiquei impressionado com o trampo de guitarras. É como se reproduzissem os diálogos do Television em três guitarras mais um celo. Intrincado, o lance. E Doug tem toda aquela vozinha e ouvir um disco que você gosta ao vivo na ordem certa é demais. Depois ainda teve outros clássicos e um bis eterno, que finalizou com uma jam com os Meat Puppets. Só faltou uma coisa pra que a noite fosse perfeita: que todos meus amigos tivessem lá.

27 de mar. de 2007

Dinosaur Jr

Essa saiu na revista do Coquetel Molotov (acho que em maio de 2006)

O Dinosaur Jr está de volta. Às lojas, com a reedição dos três primeiros e fundamentais álbuns do grupo, Dinosaur (85), You’re Living All Over Me (87) e Bug (88), que chegam ao Brasil pela distribuidora Peligro. E aos palcos, com a formação original, em uma turnê que lotou casas noturnas do EUA e Europa e passou passar por festivais como Reading, Leeds e Benicassin.

O retorno surpreende, uma vez que J Mascis (vocais e guitarra), Lou Barlow (vocais e baixo) e Murph (bateria) nunca se entenderam. A conturbada relação entre os integrantes, principalmente Mascis e Barlow, porém, servia de combustível para as incendiárias apresentações da banda. Mascis uma vez definiu os shows desse período como “psicodrama sobre o palco”. “Havia muita tensão entre nós”, diz Murph, minutos antes da passagem de som para um show em Amsterdã. “Uma vez o J ficou nervoso com o Lou e deu com a guitarra nele no meio de um show. O Lou só se defendia com o baixo. Naquele momento tive vontade de correr atrás dos dois, dar uma chave de pescoço em cada um deles e bater uma cabeça na outra. O pior foi a platéia ter pensado que era tudo uma piada. Recebi vários tapinhas nas costas de pessoas me cumprimentando pela cena”.

O episódio ficou famoso como o catalisador da saída de Barlow do grupo, pouco após o lançamento do terceiro álbum. “Fomos à casa do Lou e o J não falou nada. Ele nunca falava nada. Então eu comecei a falar, mas ele entendeu que estávamos acabando com a banda. Nós já tínhamos chamado outro baixista e estávamos com uma turnê na Austrália agendada. Quando o Lou ficou sabendo, ficou muito bravo e foi atrás de nós. Tivemos que agüentá-lo gritando por horas”.

Amigos de infância encantados com bandas da primeira leva do underground americano dos anos 80, principalmente as da gravadora SST, então lar do Sonic Youth, Black Flag e Meat Puppets, os dinossauros apareceram em 1985, surpreendendo a todos com um som que absorvia influências do country rock dos anos 70 e da new wave britânica, e trazia de volta os longos solos de guitarra, algo então fora de moda. Tudo soterrado por uma incrível avalanche de distorção e ruído e coroado pela sonolenta voz de Mascis. Não demorou para que fossem apadrinhados pelos ídolos Sonic Youth e, na sua primeira excursão pela Europa, endeusados pela crítica britânica.

O legado da fase inicial do Dinosaur Jr se estende pelos dois lados do Atlântico. No Reino Unido, são creditados como grande influência para o surgimento da cena shoegazer. “O Kevin Shields, do My Bloody Valentine, era nosso fã e nós éramos fãs dele. Nos influenciamos mutuamente”, diz Murph sobre o maior expoente do estilo. Nos EUA, fizeram a cabeça de toda uma geração do rock alternativo. “Ajudamos a pavimentar o caminho para algumas coisas legais dos anos 90, como o grunge”, acredita. Também foram alçados à condição de grandes representantes dos chamados slackers – a apática juventude classe média da época. Murph desdenha: “Nunca pensamos muito sobre isso. O J nunca foi um slacker. Ele trabalhava, fazia músicas. Acabou sendo rotulado porque não falava muito e gostava de ver TV”.

Poderia ter sido o Dinosaur Jr no lugar do Nirvana? Logo que Nevermind estourou, Barlow, bêbado, encontrou-se com Mascis e aos berros insultou-o, dizendo que sim. Mas a essa altura, a banda já tinha contrato com uma major e conhecia relativo sucesso sem Barlow, que seguiu gravando trabalhos no Sebadoh, Folk Implosion, Sentridoh e outros. “O Nirvana tinha química e era mais acessível que a gente. Acho que seríamos uma banda como o Metallica, não em termos de som, mas de carreira. Eles começaram underground e ficaram maiores a cada disco, nunca explodiram”. A banda, no entanto, encerrou suas atividades em meados dos anos 90.

Nesta nova encarnação, o clima entre os integrantes do grupo parece mais ameno. “É muito melhor hoje em dia, estamos muito mais maduros. O Lou trouxe a família, o bebê. Agora conseguimos nos dar bem”, atesta Murph. O futuro, porém, é incerto. O baterista ainda não sabe o que acontecerá depois do encerramento da turnê. O motivo é o mesmo de sempre: “Não conversamos sobre o assunto. O J não fala muito. Então não sabemos. Na verdade, ele não mudou muito de lá pra cá”.