19 de jul de 2007

sugestão

Uma baleia morreu encalhada ontem na praia de Boa Viagem, Recife. Ia ser legal se fizessem a mesma coisa que fizeram em 1970, no Oregon:



A história da "exploding whale" é tão mitológica que tem até website.

dementia

Baixei este set do Jason Forrest faz uma cara. Mas só hoje fui ouvir. Uma hora de demência. Fudido.

18 de jul de 2007

o futuro é no chão

Curto muito o movimento de artistas que vêm abolindo o palco como divisória entre eles e o público. De Yacht a Girl Talk, passando pelo Lightning Bolt e outras bandas da Load Records. O Lighting Bolt e seu Fort Thunder acabaram inspirando, em Baltimore, um coletivo / cena que é das coisas mais fodas da atualidade: Wham City. Você já deve, a esta altura do campeonato, ter ouvido falar do Dan Deacon e seu Spiderman of the Rings, disco que levou nota altona na Pitchfork e tudo mais. O que poucos sabem é que ele é um dos fundadores da Wham City, que nasceu em um dormitório de universidade em Nova York e encontrou seu lar em um galpão em Baltimore. O que rolava lá, ao que parece, é pura insanidade. Pena que, recentemente, o galpão tenha sido desativado. Além do Dan Deacon, o tal coletivo compreende nomes como Ecstatic Sunshine, Videohippos, Santa Dads e o também "famoso" Cex. Sente um pouco do que eu tô falando:



O Dan Deacon gravou o "hino" da Wham City no Spiderman of the Rings:

- Dan Deacon - Wham City (MP3)
- aqui tem um matéria ótima - e longa - sobre a Wham City.
- aqui tem um coletânea virtual legalzona com os artitas da cena.
- Wham City no Myspace

17 de jul de 2007

três vezes gonzález

Fiz pra Rolling Stone. Saíram em maio (entrevista), junho (resenha do disco) e julho (resenha do show):

Ao longo dos últimos anos, a Suécia vem se afirmando como reduto de excelência dentro do cenário independente mundial. Nomes como The Knife, Jens Lekman e Peter, Bjorn and John ganham cada vez mais destaque na imprensa musical de todo o planeta, enquanto novas promessas – bandas como I’m From Barcelona e Loney, Dear – fazem a festa da região mais musical da blogosfera.

José González, 28, maior expoente desta safra, prefere, no entanto, não se vincular a esta movimentação. “A Suécia é um país pequeno, com cidades pequenas, então você acaba trombando outros músicos, mas não faço música com eles. Temos aqui um bom ambiente para se fazer música, mas não acredito que eu seja parte de nenhuma cena”, diz, de sua casa em Gotemburgo.

Filho de argentinos, González conta que cresceu escutando música latina e brasileira. “Comecei a tocar violão influenciado por Silvio Rodriguez e gente como Caetano Veloso, Chico Buarque e João Gilberto”. Aprendeu os primeiros acordes tirando canções dos Beatles e clássicos da bossa nova e, depois, dedicou-se ao violão clássico e teve bandas de rock.

“Acho que a mistura do aprendizado do violão clássico com a audição do indie rock americano me trouxe para onde estou hoje em dia”. Mais precisamente: Veneer, seu primeiro álbum, lançado na Europa em 2003, e dois anos depois nos EUA, levou-o ao sétimo lugar das paradas inglesas, foi disco de ouro na Suécia, teve uma das músicas como trilha de uma propaganda de televisores e outra embalando o episódio de encerramento da segunda temporada da série The O.C. Agora, o trabalho chega às lojas brasileiras, acompanhando alguns shows que o músico deve fazer no país no início de junho.

O sucesso de Veneer pegou González de surpresa, principalmente por se tratar de um disco totalmente gravado em casa, apenas com o auxílio de um computador e um par de microfones. “Minhas expectativas iniciais eram muito baixas. A maior parte das coisas que escuto não vendem muito, então achei que seria igual”, conta. “Gravei o disco na minha cozinha. É bem lo-fi”.

Para os shows brasileiros, os fãs podem esperar basicamente o que se escuta em seu primeiro álbum: “é um show de violão e voz”. Além das músicas de Veneer, Gonzáles deve mostrar algumas composições de seu próximo álbum, que deve manter as raízes lo-fi, mas longe da cozinha. “Agora tenho um escritório-estúdio que posso utilizar sem ter que pensar na louça que tenho que lavar enquanto gravo”.


José González
Veneer – três estrelas e meia

Folk como le gusta

A nova onda revivalista do folk revelou alguns dos nomes mais interessantes desta década, da complexidade épica pastoral de Joana Newson ao experimentalismo colaborativo do Sunburned Hand of the Man, só para citar duas extremidades opostas do eixo em que, lá no meio, reside o som mais ortodoxo praticado por González. Neste panorama, cabe ao sueco filho de argentinos posar como herdeiro natural da coroa de Nick Drake, mestre da vertente mais introspectiva e melancólica do gênero, principalmente pelas espirais quase mântricas de violões dedilhados e a atmosfera etérea que permeia este seu primeiro trabalho, lançado no Brasil com quatro anos de atraso. Há palmas em “Lovestain”, percussão em algumas outras canções e um trompete na faixa de encerramento, “Broken Arrow”, mas, fora isso, não espere aqui nada mais que voz e violão. Tudo devidamente gravado em casa, fato que dá ao disco um saudável aspecto lo-fi. “Remain” escancara a influência brasileira na música do cara – imagine se Devendra Banhart tivesse escolhido João Gilberto, e não Caetano Veloso, como ídolo brazuca -, enquanto o filé mignon do disquinho é “Heartbeats”, versão para um electro-pop arrasa-quarteirão dos conterrâneos The Knife, reduzido aqui a uma envolvente canção para ouvir a dois.


José González - três estrelas e meia
Sesc Vila Mariana – SP

A difícil arte de ser simples

Com som perfeito e iluminação adequada, o teatro do Sesc Vila Mariana devidamente lotado em seus mais de 600 assentos mostrou-se o lugar certo para receber a atmosfera intimista e a timidez simpática levadas ao palco pelo sueco José González. O clima se refletia na platéia, reverentemente silenciosa por toda a apresentação. Ao vivo, fica claro o truque do cara: a simplicidade encantadora das canções de Veneer – primeiro disco de González -, calcadas em repetições hipnóticas de fraseados no violão, esconde um músico que esbanja técnica e inventividade, trabalhando com rigidez nórdica em afinações variadas e explorando possibilidades percussivas do instrumento. E a voz ainda é boa, bem colocada, menos João Gilberto, mais Nick Drake. Aos poucos, algumas músicas novas são apresentadas, e parecem ainda melhores que as antigas. Mas a parte mais suculenta do show são as versões para músicas alheias, quatro ao todo. “Teardrop”, do Massive Atack, precedeu o bis, que trouxe mais três: “Hand on Your Heart” (Kylie Minogue), a melhor; o sucesso “Heartbeats”, recebido com entusiasmo; e, finalizando, “Love Will Tear Us Apart” (Joy Division), no momento da noite mais próximo a um show de rock. Um banquinho, um violão, um copo de vinho e um grande show: ah, se o “som do barzinho” fosse assim.

12 de jul de 2007

club hits to hit the club

"I think I'm in love or maybe just infatuated with a girl named Lovefoxxx / And even without xxx in her name she'd blow me right out of my shoes and my socks". O pior é que a música é boa. E as outras músicas dos caras também. All Teeth and Knuckles, vai no Myspace deles. Aproveitando que o assunto é CSS, aproveita e baixa aí embaixo o remix deles pro single novo do Tilly and the Wall. E o remix que eu fiz pra "Music Is My Hot Hot Sex" um tempinho atrás.

- All Teeth and Knuckles -
Let's Undress and Listen to CSS
- Tilly and the Wall - The Freest Man (CSS remix)
- Cansei de Ser Sexy - Music Is My Hot Hot Sex (DD's CCB remix)

11 de jul de 2007

Guided by Voices

Entrevista com Robert Pollard, em abril de 2004, para o site da Trama.

Vocês estão de volta à Matador depois de dois discos para a TVT Records. Como você se sente?
É muito bom estar de volta. Sempre nos consideramos uma “banda da casa” na Matador. Eu fiquei lisonjeado no momento em que eles nos pediram para voltar quando surgiu a oportunidade. É bom voltar para casa. Eles são o tipo da gravadora que deixa o artista fazer exatamente o que ele quer fazer. Acho que é como uma segunda vida. Houve uma nova injeção de sangue no Guided by Voices. Em primeiro lugar porque consegui juntar a banda que eu queria, e depois porque voltamos a fazer as coisas do jeito que gostamos.

Isso significa que a TVT impôs algumas coisas à banda?
Houve um pouco de imposição. Eles sempre tiveram entusiasmo pela banda, sempre nos apoiaram, sempre acreditaram que tínhamos o potencial de vender um milhão de discos, e eu gostei muito disso. Mas, por um motivo ou outro, isso não aconteceu. Nós tivemos que nos comprometer com algumas coisas, tivemos que deixar algumas pessoas nos dizerem o que deveríamos fazer. A mão deles surgia em todos os aspectos da criação, da sequência de músicas até a arte do disco. Eles queriam ser parte disso tudo. É algo que eu não gosto.

Muitos fãs reclamaram destes dois discos.
Muitos gostaram, muitos não gostaram. A verdade é que, como em todos nosso discos, o negócio são as músicas e não a maneira como ele é gravado. Mas as pessoas reclamaram da produção destes discos e eu fui uma delas. Gosto dos discos, mas eles ficariam melhores se nós os produzíssemos. Não quero desmerecer os produtores, mas eles são contratados pelas gravadoras e fazem o que as gravadoras querem que eles façam. É lógico que vão tornar os discos mais acessíveis para as rádios. E, ás vezes, especialmente agora, o que é acessível para o rádio não é tão bom. Gosto de um som mais cru.

Vocês já têm um próximo álbum pronto, não?
É verdade. Já temos um novo disco que vai chamar “Earthquake Glue”.

Como é o disco?
Ficamos muito empolgados com ele. É mais direto que o “Universal Truths and Cycles”. É mais convencional, com canções pop de três minutos, sabe? Mas não deixa de ser diversificado, há diferentes tipos de música. Ele me parece um pouco mais sério. E é bonito. Ainda soa como a gente. Pessoalmente, acho que é melhor que o “Universal Truths and Cycles”. Ele está mais na linha do “Bee Thousand”.

O “Bee Thousand” é muito bom...
Muitas pessoas o consideram nossa obra-prima. Foi feito num período muito legal. Nós tínhamos muitas idéias naquela época, porque estávamos começando a dominar o estúdio de quatro canais. Começamos a ter mais noção do que queríamos fazer e de como queríamos gravar as coisas. Fizemos muitas músicas naquela época.

Depois de todo esse tempo você ainda tem prazer em gravar em quatro canais?
Eu adoro. Mas o que me dá mais prazer é escrever a música. Depois, nunca é tão bom. Mas eu gosto de todo o processo de me juntar com a banda, ensaiar, gravar. E este processo não demora muito para a gente. Acho que é importante tentar gravar o que você compôs o mais rápido possível.

Como foi participar do videoclipe de “Someday”, do Strokes?
Foi um tanto embaraçoso. Não me senti confortável em participar do game-show “Family Feud” que aparece no clipe. Mas o Julian sempre quis participar desse programa. Por outro lado, todos nos divertimos, bebemos, ficamos falando besteira... Acho que a melhor parte do vídeo foi ficar no bar com eles e com o Guns’n’Roses. Foi divertido. Nós ficamos muito amigos e eu tenho muito orgulho deles. Eles estão indo muito bem e merecem.

Você reconhece alguma influência do Guided by Voices no som do Strokes?
Eles têm um som próprio. Mas tenho alguma certeza de que foram um pouco influenciados por nós. Eles fazem boas músicas, o Julian faz boas melodias. Acho que às vezes o som das guitarras e das baterias lembram a gente. Eles têm o quê? Vinte e um, vinte e dois anos? É impressionante o quanto eles são bons com tão pouca idade. Porque eu não era. (risos)

O quanto vocês se acham responsáveis pelo rock alternativo que surgiu depois de vocês?
Acho que influenciamos muitas bandas, mas não tanto quanto o REM ou o Sonic Youth. Ainda que estejamos na ativa há tanto tempo quanto estas bandas, estamos na mídia há bem menos tempo. Fomos uma banda por dez anos antes de qualquer um ouvir falar de nós. O que temos feito inspirou muitas bandas, mas os verdadeiros pioneiros são esses estiveram na mídia por mais tempo, como Pixies, Breeders, Dinosaur Jr, esse tipo de bandas.

Você acha que tem o crédito que merece?
Acho que sim. Eu sei que não vendemos tantos discos quanto outras bandas, mas tudo bem. É lógico que eu gostaria que todo mundo escutasse nossas músicas. Mas estou feliz com número de discos que vendemos e com o fato de conseguirmos excursionar e tocar em clubes. Eu nunca imaginei que isso um dia aconteceria conosco.

Muitas bandas da cena indie brasileira são influenciadas pelo Guided by Voices. O que você acha disso?
É incrível. É demais. É ótimo (risos). Eu fico sem palavras. Eu não sei exatamente o tipo de influência que temos sobre o pessoal daí porque nunca estive aí, mas já escutei algo a respeito disso.

Quando você decidiu abandonar a carreira de professor e virar roqueiro?
Acho que foi em 93. Eu lecionava há 14 anos. Nesse ponto, as pessoas já começavam a se interessar por nós e eu tive a oportunidade de abandonar meu emprego.

Algum ex-aluno já apareceu nos shows?
Já sim. Eu não os vejo mais com tanta frequência, mas no começo eles costumavam ir aos shows. Eles chegavam e gritavam “oi, mr Pollard” (risos). Alguns deles têm bandas hoje em dia. É engraçado. Sou o "mr Rock".

Depois de vinte anos você não fica cansado dos shows, ensaios, entrevistas, etc.?
Às vezes você se cansa. Mas eu amo o que eu faço e entendo que tudo faz parte disto. Eu gosto de encontrar pessoas e conversar com as pessoas, então... eu fico cansado fisicamente, mas não fico cansado do que eu faço.

Você é famoso por ser prolífico, por compor muito e gravar muito. Você tem um controle de tudo o que você grava?
Eu tenho uma caixa enorme repleta de fitas. É enorme mesmo. Tem coisas gravadas em ensaios, gravações no porão, tudo isso. Eu gravo tudo, mas não tenho um controle, só jogo na caixa.

Como você escolhe o que vai lançar?
Eu lanço entre cinco e seis discos por ano, porque eu tenho minha própria gravadora. Tenho muitos projetos paralelos. No que quer que eu esteja trabalhando em determinado momento, eu gravo. Jogo na caixa o que sobra.

Você sabe quantos discos já lançou até hoje?
Se não me engano, o “Universal Truths and Cycles” é o décimo-quarto disco do Guided by Voices, se eu não incluir as caixas, relançamentos, piratas, essas coisas. Temos também entre vinte e trinta EPs e um monte de singles. Acho que fiz entre cinco e seis discos solo e o mesmo número de colaborações. Se você juntar tudo, acho que vai dar uns cinquenta discos.

Qual desses é seu favorito?
Meu favorito é um disco solo chamado “Kid Marine”, mas é um lance pessoal. Entre os do Guided by Voices, meu preferido é o que vamos lançar este ano. Mas gosto muito do “Bee Thousand”, do “Vampire Titus”. Gosto de todos. É como gostar de seus filhos, você tem que gostar de todos.

O que você tem escutado ultimamente?
Completei minha coleção do Alex Chilton e não consigo parar de escutar. Tenho escutado muito mais coisas antigas, Eric Burdon, Kinks, William Shatner. Dos novos, gosto do Strokes, do Shins. Você ouviu o último do Paul Westerberg? É de longe o melhor disco dele. Melhor até que os discos do Replacements.