17 de dez de 2008

o começo do fim

O Claudião tinha flagrado o movimento já há algum tempo e me deu um toque quando tiraram o Max Tundra (ou algo do tipo) do destaque principal pra botar algo mais conhecido. Gostem ou não gostem do estilo, dos textos, da prepotência ou até mesmo do xiitismo indie - não o xiitismo indie brazuca retardado que só gosta do que vem acompanhado de feedback, mas um xiitismo de sempre achar melhor uma manifestação musical vinda do underground do que uma do mainstream -, a Pitchforkmedia conquistou seu lugar como o principal formador de opinião dentro de um certo meio - já ouvi dono de selo gringo dizer que um review positivo deles pode render 20 mil cópias vendidas, e, um negativo, pode fazer as lojas simplesmente não comprarem o álbum.

Com a popularização dos blogs de MP3, alguns deles chegaram a roubar alguns nacos dessa onipresença da Pitchfork, o que gerou até uma briguinha velada - ou nem tanto, lembro de uma chamada na Pitchfork que dizia algo como "C'mon bloggers, raise your standarts - entre o site e alguns blogs - o Forkcast foi uma clara reação ao fato das faixas em primeira-mão estarem indo para os blogs na época. Mas nada disso diminuiu a influência na indústria independente.

Mas, vamos ao que me motivou a escrever este post. Chegaram a ver a lista de melhores do ano "Honorable Mention" que saiu hoje? Segundo o site, esses discos não entraram na lista de melhores do ano, que sai amanhã, porque "they're albums that for a variety of reasons-- including, but not limited to, the genre in which they work, a lack of widespread distribution, the relative lack of chatter they inspired this year (including on our pages, in some cases)-- don't tend to show up in year-end lists from large music publications. Granted, to ravenous indie fans these are well-known records but in the context of the slightly wider (read: non-internet) world, they are still mostly outliers and curiosities-- and ones that deserve a bit more praise".

Ou seja, discos que entrariam na lista deles não entraram porque "não são notados fora do mundo online" (existem dois mundos pra esse tipo de música hoje em dia?) ou porque "não tendem a chegar às listas de fim do ano de grandes revistas e jornais". Com isso, discos como o do Dodos e do Why, dois dos melhores do ano em qualquer mundo que você gravitar (é claro, pra quem ouviu), ficaram fora da lista de melhores do ano do site. Incrível. Dois anos pro Pitchfork Festival virar o Lollapalooza. Menos ainda pro site virar a Spin.

4 comentários:

Livio disse...

E ainda tem o acordo comercial que eles fecharam com a Fader.

C disse...

"indústria independente". o problema é exatamente esse, o fato deles sempre terem desejado e ajudado a pavimentar uma indústria independente americana. independência e indústria (ou o ideal de uma), a química, a física e a história já provaram, não podem rimar. não por muito tempo e em nome do melhor. ficam as contradições, afinal o bradford cox é bom pra caralho... (o disco era do passion pit, acho)

Raphael Caffarena disse...

Putz, eu tive essa conversa ontem!

FODA!

Renan Abreu disse...

hahhaa é o indie comendo o próprio rabo