30 de dez de 2008

olha só

Olá a todos vocês que têm aparecido por aqui por causa da polêmica Thiago Ney / Forastieri. Sem querer fui parar no meio disso. Bom, nunca fiz nem pretendi fazer jornalismo cultural - ou mesmo musical - aqui no blog. Mesmo na "vida real", cada vez mais me distancio do jornalismo pra buscar ações que eu considero mais práticas. Cada vez mais considero perda de tempo enorme - do meu, pelo menos - ter que ouvir um monte de vezes o disco do Ting Tings pra fazer uma resenha pra Rolling Stone, quando a música que eles fazem não me diz nada e, ao mesmo tempo, posso ter acesso imediato à música que eu quiser na hora que eu quiser.

Forastieri, Barcinski e Alvaro eram meus ídolos quando eu tinha 15 anos e tinha a Bizz como única fonte de informação. Hoje, acho que o Alvaro virou uma piada e os outros dois eu não acompanho. Da mesma forma que não acompanho muita gente da minha geração ou mais nova. Não me interessa. Eles não vão dizer nada que eu já não tenha visto em outro lugar. Mentira, acompanho alguns pra ver sobre o que estão falando, mas eles não me decepcionam: sempre irritam. Ou alguém precisa esperar sair a lista de melhores do ano da Rolling Stone pra saber que só vai ter merda?

Botar o Guizado pra se apresentar no programa da Cultura, o Holger pra tocar no Neu - ou mesmo abrir o Neu -, ou tocar Liquid Liquid depois de um remix do Chromeo pra Vampire Weekend quando tô discotecando são as formas que encontrei pra ficar mais perto da música, de agir pela música, em vez de ficar mofando numa redação esperando os bons tempos voltarem, tendo que cobrir show da volta do Queen ou resenhando o novo do AC/DC. A real é que fiz jornalismo pensando que era um meio de me aproximar e viver com um trabalho relacionado à música. Felizmente, descobri que haviam outros jeitos mais legais de trabalhar com música. Portanto, quando e se voltarem aqui, não busquem textos jornalísticos, grandes análises, ou sei lá que porra o Forastieri tá procurando. Aqui só tem eu falando merda.

4 comentários:

Marco disse...

Poxa cara sempre acompanho teu Blog...nao conheco voce pessoalment mas voce FALOU tudo! Teu comentario foi foda, sintetizou tudo em poucas linhas e MATOU a pau..
abs
Marco direto da gelada Toronto...

Gilberto disse...

Hahaha, que massa. O Forastieri é muito arrogante, chega a me dar nojo.

Gilberto disse...

E aquela foto dele no blog é muito VA, pelamordedeus. Das poucas vezes que entrei, tive que ser rápido naquele troço que rola no mouse pra botar a página pra baixo.

Bruno Ramos disse...

Talvez, a questão seja que não há mais ônus algum em publicar algo (e isso é bom como princípio geral). Antes, você tinha que convencer algumas pessoas para publicar o que você achava ou não achava de algo. Havia constrangimentos gramaticais, editoriais, argumentativos, de formatação, de espaço, etc.. No mesmo sentido, é pedagógico que cada um possa acessar o que quiser sem intermediários.
Mas isso, o cenário da ausência de constrangimentos, gera um sentimento generalizado de certezas. Todos têm certeza sobre vários assuntos. 2 + 2 = 4. Mas aí é problema meu, pois eu não gosto de opiniões que carregam 100% de certeza em si mesmas.
Uma analogia: antes, os jornalistas que cobriam música eram como monstrinhos enjaulados. A jaula era o veículo em que escreviam. Com os blogs, as jaulas caíram. Agora, os monstrinhos estão à solta. Não têm que prestar contas para ninguém e, para conseguir destaque, tentam cada um gritar mais alto do que o outro, logicamente, cada grito acaba contendo mais certezas do que o anterior. Sempre houve e sempre haverá os que precisam de certezas. Assim, alguns blogs têm muitos leitores ávidos por certezas.
Antes, a certeza vinha em forma de resenha. Agora, vem em forma de link para Myspace ou Youtube.
Quem fazia parte de veículos como Bizz pergunta onde estão os textos similares aos textos de outrora. Eventualmente, ficam chateados com a ausência dos "constrangimentos" que mencionei acima.
Quem lia Bizz, agora acessa as mesmas fontes de informação que quem escreve na Rolling Stone também acessa. Ou seja, para parte do público, a Rolling Stone é dispensável.
A Bizz tinha focos de música nova em um mar de informações sobre artistas, em certo sentido, consagrados.
Hoje, a Rolling Stone filtra alguns artistas novos para mostrar para um público genérico que a lê (talvez, o público genérico da Rolling Stone seja comparável ao da antiga Bizz).
Se alguém fizer uma pesquisa, pode chegar a conclusão de que ambas têm uma mesma proporção de espaço para artistas novos. O que mudou não foram os conteúdos das revistas de antes e de agora. Foi a relevância destes conteúdos para certo tipo de leitor.
www.musicaemercado.blogspot.com