27 de jun de 2007

rolling stone - fevereiro/07

Graforréia Xilarmônica - 3 estrelas
Ao Vivo


Instituição gaúcha em registro certeiro


Se hoje em dia o termo rock gaúcho virou definição de estilo musical, abraçado claramente por nomes locais – de Cachorro Grande a Bidê ou Balde – e até extrapolando as fronteiras do estado - ou alguém vai dizer que bandas como o Rock Rocket não fazem rock gaúcho? -, boa parte da culpa pode ser creditada à Graforréia Xilarmônica. Isso não quer dizer, entretanto, que muita gente tenha entendido a mistura chinela de jovem guarda, idiossincrasias regionais, elementos vanguardistas e rock dos anos 60 promovida pela banda em sua tortuosa carreira, que completa 20 anos em 2007. Para este Ao Vivo, gravado em 2005 em Porto Alegre, a dupla de produtores cariocas Kassin e Berna Ceppas optou, como convém, por um registro corretamente cru da apresentação. Não espere, portanto, execuções impecáveis, vocais límpidos, afinação e aquela precisão anticéptica dos discos ao vivo que vemos por aí. E isso só ajuda a reafirmar a força das composições da Graforréia, que aqui conta em duas músicas com Marcelo Birck, membro da formação original e co-autor de boa parte do repertório do grupo. Entre semi-hits de uma realidade paralela – bem mais divertida que a nossa, por sinal – e canções popularizadas por outros artistas ("Empregada" por Wander Wildner; "Nunca Diga" e "Eu" pelo Pato Fu), o disco aparece como lembrete do quanto uma banda como a Graforréia ainda pode soar extremamente necessária dentro do nosso cenário musical.

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