13 de ago de 2007

mais uma quinta...

Essa aconteceu na última quinta, no Milo, lá pelas quatro da manhã. Tinha pouca gente da pista, alguns casais e um turminha de umas sete ou oito pessoas. Eu já tinha desacelerado, tava colocando umas coisas mais calminhas pro pessoal ir embora em paz e feliz. Aí chega uma menina do grupo em mim:

- Vem cá, a gente acabou de ganhar uma conta na agência e estamos celebrando aqui. Tem como tocar uma coisa mais agitada?

Fiz o legal e botei umas coisas mais pra cima: talking heads, shins, of montreal, shout out louds. A menina volta:

- Então, preciso agradar meu chefe... Toca um som mais pra cima...

Falei que isso era o que eu tinha de mais pra cima e coloquei Devo. Ela vem de novo:

- Essa tá muito caída. Não tem nada mais legal?

Respondi:

- Desculpa, mas não tenho som de publicitário. Se você não gosta de Devo não tem porque estar aqui.

Ela foi até a turminha e voltou em dez segundos:

- Você quer dinheiro pra tocar o que a gente quer?

Na hora não acreditei, até perdi o rebolado. Devia ter aceitado, pedido 100 reais por música, haha. Mas o que fiz foi olhar pra ela puto e perguntar se ela tava louca. Então, depois do Devo botei a primeira coisa que vi na frente e fui até o banheiro. Quando eu volto tem um palhaço da turminha mexendo do mixer. Delicadamente, com um empurrão botei ele pra fora da cabine e falei pra ele sumir da minha frente antes que fizesse uma bobagem (não foi bem nesses termos, mas beleza). Um outro, de blazer e camisa social veio tirar satisfação e só não chegamos às vias de fato porque o Felipe, o Gui e depois o Fernando chegaram e impediram.

Moral da história: publicitário é tudo cuzão. Isso foi o que eu disse pra eles. E, de certa forma, acredito. Não sou de generalizar. E conheço um monte de gente que não é assim: Lulins, Keke, Mini... Todos geniais, todos gente fina. Não por acaso, eles fogem da auto-referência e a presunção "eu conheço tudo o que é bom, se eu não conheço é porque não é bom" que costuma reger o meio deles. Fiquei imaginando a turma da agência combinando a balada: "tem um lugar superdescolado lá na Minas Gerais para a gente comemorar, tem paredes grafitadas, um pessoal bem alternativo...". Mas neguinho chegou lá e não tava tocando "Mr Jones". Nem psy. Nem sei lá o cazzo que eles queriam ouvir. "Então vamos comprar o som que a gente quer". E por aí vai. Isso me lembrou a história que o Adriano contou, da época em que ele fazia jingles, e era obrigado a plagiar as músicas que chegavam como "referência". Ou da vontade de vomitar que tenho cada vez que vejo uma peça "jovem"(olha isso e isso). Ou no Fábio, que depois de poucos meses, pediu demissão de uma agência de renome porque não aguentou tanta cretinice. Se bem que idiota tem em qualquer lugar. Às vezes eu esqueço que sou jornalista e escrevo sobre música. haha.

8 comentários:

Flávia Durante disse...

nossa, passei muito nervoso só de ler!!! fui até pegar um bis pra aliviar. q raiva, heuehuahea!!!

Dago Donato disse...

caralho. ninguém me avisa que eu tinha escrito "mechendo"?

criz disse...

hahahahahahaha fudido!

slag disse...

A.F.Ê.

slag disse...

Bicho, reli o post. Não acredito. Você tinha que ter colocado um WOLF EYES!!! Colocar Wolf Eyes nunca foi tão urgente do que nesse momento que você viveu...

moreira disse...

Se o dago colocasse wolf eyes nessa hora, seria a resposta mais perfeita da história das situações inusitadas. Mas como não existe perfeição, seria impossível ele pensar em colocar wolf eyes.

Dago Donato disse...

puts. e o pior é que eu não tinha wolf eyes. troquei o computador e esqueci de colocar lightnint bolt e wolf eyes.

guided by voices disse...

Já passei por umas boas também discotecando, mas essa daí bateu recorde. Merecia parar o som e chamar o segurança.
Abs,
Jan