13 de out de 2008

pop montreal - dia 3

montreal
Se o Silver Apples tinha iniciado minha sequência terceira-idade no festival, a sexta-feira já começou com o show do Burt Bacharach numa igreja lindíssima. O show foi aquilo que se poderia esperar, uma mistura de início de festa em lounge de hotel com finalistas do American Idol. O que salva é a classe do véio e a incrível usina de hits, ao vivo, mostra que nada é óbvio em cada um dos clássicos dele. A platéia, que misturava tiozinhos e modernos, aprovou e até se emocionou. Eu não fiquei até o fim. Fui mandar um poutine. Poutine é o prato mais absurdo e delicioso inventado pelos canadenses. Consiste em batatas fritas regadas com gravy (uma espécie de caldo de carne engrossado) e cheddar branco da pior qualidade. No La Banquise, dá pra escolher entre 25 variedades de cobertura. Como na última vez, fiquei com o T-Rex, que, além dos ingredientes tradicionais ainda vem com salsichas, bacon e carne de hamburguer. Delícia. Balofo, desci até o Cabaret Juste Pour Rire (o lugar onde é gravado o Just For Laughs do Multishow) pegar o show do Jean-Jacques Perrey. Mestre. Também velhinho, com 78 anos, ele chegou ao palco com uma bata branca brilhante, caminhando com dificuldade, auxiliado por uma mulher. Mas é só ele sentar nos teclados que começa a destruição. O show é em companhia de Dana Countryman. Juntos, eles recriam temas clássicos e coisas novas, dos dois discos que lançaram em parceria. O velhinho é só simpatia, sorri e mexe com as garotas da platéia e diverte o público com um elefantinho de pelúcia. Saca o tema do Chaves? Rolou. Foda. De lá, pro Cine L'amour,um cinema pornô, pra ver o tal do Porn Pop, hmm, encabeçado pelo SoCalled. O cara é um rapper judeu multiinstrumentista celebridade da cena local e tocou acompanhado por gente do calibre de Owen Pallet, do Final Fantasy. Lugar lotado e fila quilométrica pra descobrir o que seria o tal Porn Pop. Resumo: a banda fez uma trilha sonora ao vivo para um filme pornográfico dos anos 70. Gay. Não deu pra ficar muito, e não só pelo filme. O lance tava meio mal ensaiado e a trilha consistia em musiquinhas sem sal no estilo 50s. Corri de lá pra tentar pegar um pouco da discotecagem do Kid Kameleon, mas já tinha acabado. Terminei a noite assistindo ao An Albatross em um show impressionante. A banda faz o estilo Lightning Bolt de demolição, só que com guitarra, baixo, bateria e teclados, tudo no talo e a mil por hora. Só que o vocalista é tipo uma mistura de Robert Plant com Iggy Pop. Se veste e dança como um rockstar dos anos 70, mas também se mata no meio público. Pesadelo incrível e uma noite inteira de zumbido na cabeça.

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